Voltar

Saúde mental também passa pelo que crianças e adolescentes vivem online

18 de setembro de 2026

Setembro é marcado pela mobilização em torno da prevenção ao suicídio e pelo convite para olharmos com mais atenção para a saúde mental. E, quando falamos de crianças e adolescentes, esse cuidado também precisa considerar uma parte importante de suas vidas: o ambiente digital. Redes sociais, jogos, grupos de mensagens e comunidades online são espaços […]

Saúde mental também passa pelo que crianças e adolescentes vivem online

Setembro é marcado pela mobilização em torno da prevenção ao suicídio e pelo convite para olharmos com mais atenção para a saúde mental. E, quando falamos de crianças e adolescentes, esse cuidado também precisa considerar uma parte importante de suas vidas: o ambiente digital.

Redes sociais, jogos, grupos de mensagens e comunidades online são espaços de diversão, convivência e pertencimento. Mas também podem expor os mais jovens a cyberbullying, pressão de grupo, conteúdos nocivos e desafios que incentivam comportamentos de risco. O UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) destaca que conflitos online e cyberbullying, por exemplo, podem afetar o bem-estar e a saúde mental de adolescentes.

Por isso, mais do que simplesmente controlar o tempo de tela, pais, responsáveis e educadores podem exercer um papel importante na construção de uma relação mais segura com o mundo digital.

Algumas atitudes podem ajudar:

  • Converse sobre o que acontece online. Pergunte quais jogos, perfis, comunidades e conteúdos fazem parte da rotina, sem começar a conversa pelo julgamento ou pela proibição.
  • Fale sobre pressão de grupo e desafios perigosos. Reforce que recusar uma brincadeira ou desafio que provoque medo, desconforto ou coloque alguém em risco não é motivo de vergonha.
  • Ajude a reconhecer e denunciar situações de violência. Bloquear perfis, denunciar conteúdos e procurar um adulto de confiança são atitudes importantes diante de cyberbullying, ameaças ou outras situações de risco.
  • Observe mudanças de comportamento. Isolamento, alterações importantes de humor ou rotina e perda de interesse por atividades habituais podem indicar que algo não vai bem e merecem atenção, especialmente quando aparecem em conjunto.
  • Crie espaço para pedir ajuda. Saber que poderá contar o que aconteceu sem medo de punição pode fazer diferença para que uma criança ou adolescente procure um adulto quando enfrentar uma situação difícil.

Falar sobre prevenção também é lembrar que escutar, acompanhar e estar presente importa. A vida online não está separada da vida real, e compreender o que crianças e adolescentes vivem nas telas também faz parte do cuidado com sua saúde mental.

Em situações de sofrimento emocional, é importante buscar apoio profissional. O CVV oferece escuta gratuita pelo telefone 188. Em situações de risco imediato, procure um serviço de saúde ou emergência.

Voltar

Compulsão alimentar está associada ao maior consumo de ultraprocessados, aponta estudo

15 de setembro de 2026

Bolos, sorvetes, biscoitos e chocolates aparecem com frequência quando pesquisadores analisam o que é consumido durante episódios de compulsão alimentar. Uma revisão publicada em 2026 no International Journal of Eating Disorders reforçou essa relação: entre 404 alimentos relatados em estudos sobre esses episódios, 70,3% foram classificados como altamente processados. O levantamento reuniu 41 pesquisas publicadas […]

Compulsão alimentar está associada ao maior consumo de ultraprocessados, aponta estudo

Bolos, sorvetes, biscoitos e chocolates aparecem com frequência quando pesquisadores analisam o que é consumido durante episódios de compulsão alimentar. Uma revisão publicada em 2026 no International Journal of Eating Disorders reforçou essa relação: entre 404 alimentos relatados em estudos sobre esses episódios, 70,3% foram classificados como altamente processados.

O levantamento reuniu 41 pesquisas publicadas entre 1973 e 2023. Em todas elas, havia pelo menos um alimento altamente processado entre aqueles consumidos durante episódios de compulsão. Já alimentos minimamente processados apareceram em cerca de um terço dos estudos.

O resultado chama atenção para uma característica ainda pouco explorada nas pesquisas sobre compulsão alimentar: não apenas quanto uma pessoa come durante um episódio, mas também quais alimentos tendem a ser escolhidos.

Isso, porém, não significa que comer ultraprocessados provoque compulsão alimentar. A relação é mais complexa e envolve fatores biológicos, psicológicos, comportamentais e ambientais.

O que caracteriza um episódio de compulsão alimentar?

Comer mais do que o habitual em uma ocasião específica não significa necessariamente ter compulsão alimentar.

Um episódio de compulsão é caracterizado pelo consumo de uma quantidade de alimentos considerada significativamente maior do que a maioria das pessoas comeria em circunstâncias semelhantes, acompanhado principalmente pela sensação de perda de controle, como sentir que não consegue parar de comer ou controlar o que e quanto está consumindo.

Os episódios também podem envolver comer muito rapidamente, continuar mesmo sem fome, comer até sentir desconforto físico ou preferir fazê-lo sozinho por vergonha da quantidade ingerida. Depois, sentimentos como culpa, tristeza ou constrangimento podem aparecer.

Quando esses episódios são recorrentes e causam sofrimento significativo, eles podem fazer parte do transtorno de compulsão alimentar, uma condição de saúde mental que deve ser avaliada e tratada por profissionais especializados.

Por isso, reduzir o problema à ideia de “falta de controle” ou “falta de força de vontade” não corresponde à complexidade do transtorno.

Por que os alimentos altamente processados aparecem tanto?

Na revisão publicada no International Journal of Eating Disorders, os alimentos relatados com maior frequência foram bolo, sorvete, biscoitos e chocolate. Pizza, salgadinhos, doces e outros produtos ricos em carboidratos refinados e gorduras adicionadas também apareceram entre os itens identificados pelos pesquisadores.

Uma das hipóteses discutidas pelos autores é que certas características desses alimentos podem contribuir para que sejam consumidos em maiores quantidades por pessoas já vulneráveis à compulsão alimentar.

Alimentos com combinações concentradas de carboidratos refinados e gorduras, por exemplo, costumam ser altamente palatáveis e podem proporcionar uma experiência de recompensa intensa durante o consumo.

Além disso, são produtos geralmente fáceis de consumir rapidamente, amplamente disponíveis e presentes em diferentes situações do cotidiano.

Isso não significa, porém, que determinados alimentos tenham o mesmo efeito em todas as pessoas ou sejam suficientes para provocar um episódio.

Os próprios pesquisadores ressaltam que fatores individuais continuam sendo fundamentais para compreender a compulsão alimentar. Restrição alimentar, padrões rígidos de dieta, sofrimento emocional, alterações de humor, estresse e vulnerabilidades individuais podem participar desse processo.

Associação não significa causa

Esse é um dos cuidados mais importantes na interpretação do estudo.

A revisão mostra que alimentos altamente processados aparecem com frequência nos episódios relatados nas pesquisas existentes, mas não permite concluir que eles sejam a causa da compulsão alimentar.

Os autores também identificaram limitações importantes nos estudos analisados. Em muitos deles, por exemplo, os alimentos foram descritos de maneira pouco específica, com termos como “pão” ou “snacks”, o que dificultou determinar exatamente o grau de processamento.

Outro ponto é que a maior parte das pesquisas sobre compulsão alimentar historicamente se concentrou nas características e vulnerabilidades das pessoas, e não na composição dos alimentos consumidos durante os episódios.

Por isso, os pesquisadores defendem que estudos futuros registrem de maneira mais detalhada quais alimentos são ingeridos. Isso pode ajudar a entender melhor de que forma características do ambiente alimentar e dos próprios produtos interagem com fatores individuais.

Evitar alimentos não é tratamento para compulsão

A associação encontrada também não deve ser interpretada como uma recomendação para simplesmente excluir determinados alimentos da alimentação.

Em pessoas com compulsão alimentar, criar regras alimentares excessivamente rígidas pode não resolver o problema e, dependendo do caso, pode inclusive contribuir para um ciclo de restrição e perda de controle.

O tratamento precisa considerar o comportamento alimentar como um todo e os fatores associados aos episódios.

A abordagem pode envolver acompanhamento psicológico, nutricional e, em alguns casos, psiquiátrico. O objetivo não é apenas modificar o que a pessoa come, mas compreender os gatilhos, estabelecer uma relação mais equilibrada com a alimentação e tratar condições que possam estar associadas.

Quando procurar ajuda?

Episódios recorrentes de perda de controle ao comer merecem atenção, principalmente quando vêm acompanhados de sofrimento, culpa, vergonha ou tentativas frequentes de esconder esse comportamento.

Também é importante observar quando a alimentação passa a ocupar grande parte dos pensamentos, quando há ciclos de dietas muito restritivas e compulsão ou quando comer começa a funcionar repetidamente como uma forma de lidar com emoções difíceis.

O diagnóstico adequado deve ser feito por um profissional de saúde. Quanto mais cedo o comportamento for identificado, mais cedo é possível investigar suas causas e iniciar uma estratégia de cuidado adequada.

Voltar

Por que ainda é tão difícil pedir ajuda quando a saúde mental não vai bem?

14 de setembro de 2026

Perceber que algo não vai bem emocionalmente nem sempre é simples. E, mesmo quando o sofrimento já é reconhecido, transformá-lo em um pedido de ajuda pode ser outro desafio. Medo de ser julgado, receio de parecer fraco, vergonha, dificuldade de falar sobre sentimentos ou mesmo a ideia de que é preciso “dar conta sozinho” são […]

Por que ainda é tão difícil pedir ajuda quando a saúde mental não vai bem?

Perceber que algo não vai bem emocionalmente nem sempre é simples. E, mesmo quando o sofrimento já é reconhecido, transformá-lo em um pedido de ajuda pode ser outro desafio.

Medo de ser julgado, receio de parecer fraco, vergonha, dificuldade de falar sobre sentimentos ou mesmo a ideia de que é preciso “dar conta sozinho” são algumas das barreiras que podem fazer com que uma pessoa demore a procurar apoio.

No caso da saúde mental, esse silêncio pode ter consequências importantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o estigma relacionado aos transtornos mentais e ao suicídio faz com que muitas pessoas que precisam de ajuda não a procurem e, consequentemente, não recebam o cuidado necessário.

Como setembro marca o mês de conscientização sobre a prevenção do suicídio, a discussão vai além das situações de crise. Falar sobre saúde mental também significa criar condições para que alguém consiga dizer que não está bem e encontre acolhimento quando fizer isso.

Por que pedir ajuda pode ser tão difícil?

O sofrimento emocional não acontece da mesma maneira para todas as pessoas. Nem sempre ele se manifesta como tristeza intensa ou choro frequente. Alterações no sono, irritabilidade, perda de interesse por atividades habituais, sensação constante de cansaço, isolamento e dificuldades de concentração também podem aparecer.

Além disso, quem convive com esses sintomas por um período prolongado pode acabar se acostumando com eles ou interpretando-os como parte da rotina, da personalidade ou de uma fase difícil.

Há ainda uma dimensão social. Apesar do avanço das conversas sobre saúde mental nos últimos anos, o estigma permanece como uma barreira relevante.

Segundo a OMS, pessoas que enfrentam problemas de saúde mental podem ter menor probabilidade de buscar ajuda e até de permanecer em tratamento em razão do preconceito e da discriminação associados a essas condições.

Pensamentos como “meu problema não é grave o suficiente”, “outras pessoas passam por coisas piores” ou “eu deveria conseguir resolver isso sozinho” também podem fazer com que a busca por apoio seja adiada.

Mas não existe uma quantidade mínima de sofrimento necessária para procurar ajuda.

Não é preciso chegar ao limite

Uma ideia importante na prevenção é justamente evitar que o cuidado comece apenas quando uma situação já se tornou uma emergência.

A identificação precoce, o tratamento e o acompanhamento de pessoas em sofrimento estão entre as estratégias recomendadas pela OMS para a prevenção do suicídio. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) também destaca a ampliação do acesso aos serviços de saúde mental e a redução do estigma como pontos fundamentais para enfrentar o problema.

Isso significa que procurar um psicólogo, psiquiatra ou outro profissional de saúde não precisa estar condicionado à existência de uma crise.

Mudanças persistentes de humor, ansiedade que interfere na rotina, dificuldade para dormir, sensação frequente de desesperança, perda de prazer nas atividades, isolamento ou a percepção de que está cada vez mais difícil lidar com as demandas do dia a dia já podem justificar uma avaliação.

O cuidado precoce permite compreender o que está acontecendo e definir, quando necessário, estratégias de acompanhamento e tratamento.

Falar sobre o sofrimento também faz parte da prevenção

Falar sobre saúde mental de forma aberta e responsável é uma das maneiras de reduzir o estigma que ainda cerca o sofrimento emocional e os transtornos mentais.

Isso é especialmente relevante porque o suicídio continua sendo um importante problema de saúde pública. Mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Nas Américas, o cenário também chama atenção: a taxa de mortalidade por suicídio aumentou mais de 17% desde 2000, fazendo da região a única do mundo a manter uma tendência de crescimento no período, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde.

Reduzir esses números envolve políticas públicas, acesso aos serviços de saúde e acompanhamento adequado, mas passa também por mudar a forma como o sofrimento emocional é percebido e discutido.

Quanto mais natural for reconhecer que alguém pode precisar de ajuda, menores tendem a ser as barreiras para procurar apoio antes que o sofrimento se agrave.

Como acolher alguém que pede ajuda?

Quando uma pessoa decide falar sobre o que está sentindo, a maneira como quem está ao redor responde pode fazer diferença.

Ouvir sem minimizar o sofrimento é um primeiro passo. Comentários como “isso é só uma fase”, “você precisa pensar positivo” ou “todo mundo tem problemas” podem ter a intenção de tranquilizar, mas também podem fazer com que a pessoa se sinta incompreendida.

Acolher não significa ter todas as respostas. Muitas vezes, significa estar disponível para ouvir, demonstrar preocupação e incentivar a busca por ajuda profissional.

Também não é necessário evitar o assunto por medo de piorar a situação. A OMS afirma que conversar diretamente sobre suicídio com uma pessoa que desperta preocupação não aumenta o risco nem incentiva o comportamento. Pelo contrário, a conversa pode diminuir a ansiedade e ajudá-la a se sentir compreendida.

Pedir ajuda também é uma forma de cuidado

Mudar a forma como encaramos a saúde mental passa por tornar o pedido de ajuda algo possível antes que o sofrimento se torne insustentável.

Assim como sintomas físicos persistentes podem levar alguém a procurar atendimento, alterações emocionais e comportamentais também merecem atenção.

Buscar ajuda não exige saber exatamente o que está acontecendo nem chegar ao consultório com um diagnóstico em mente. Às vezes, o primeiro passo é justamente dizer: “não estou me sentindo bem e preciso entender o que está acontecendo.”

Em situações de sofrimento intenso, pensamentos de morte ou risco de suicídio, é importante procurar ajuda imediatamente. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia. Em situações de emergência, também é possível procurar um serviço de pronto atendimento ou acionar o Samu pelo 192.