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Por que ainda é tão difícil pedir ajuda quando a saúde mental não vai bem?

14 de setembro de 2026

Perceber que algo não vai bem emocionalmente nem sempre é simples. E, mesmo quando o sofrimento já é reconhecido, transformá-lo em um pedido de ajuda pode ser outro desafio. Medo de ser julgado, receio de parecer fraco, vergonha, dificuldade de falar sobre sentimentos ou mesmo a ideia de que é preciso “dar conta sozinho” são […]

Por que ainda é tão difícil pedir ajuda quando a saúde mental não vai bem?

Perceber que algo não vai bem emocionalmente nem sempre é simples. E, mesmo quando o sofrimento já é reconhecido, transformá-lo em um pedido de ajuda pode ser outro desafio.

Medo de ser julgado, receio de parecer fraco, vergonha, dificuldade de falar sobre sentimentos ou mesmo a ideia de que é preciso “dar conta sozinho” são algumas das barreiras que podem fazer com que uma pessoa demore a procurar apoio.

No caso da saúde mental, esse silêncio pode ter consequências importantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o estigma relacionado aos transtornos mentais e ao suicídio faz com que muitas pessoas que precisam de ajuda não a procurem e, consequentemente, não recebam o cuidado necessário.

Como setembro marca o mês de conscientização sobre a prevenção do suicídio, a discussão vai além das situações de crise. Falar sobre saúde mental também significa criar condições para que alguém consiga dizer que não está bem e encontre acolhimento quando fizer isso.

Por que pedir ajuda pode ser tão difícil?

O sofrimento emocional não acontece da mesma maneira para todas as pessoas. Nem sempre ele se manifesta como tristeza intensa ou choro frequente. Alterações no sono, irritabilidade, perda de interesse por atividades habituais, sensação constante de cansaço, isolamento e dificuldades de concentração também podem aparecer.

Além disso, quem convive com esses sintomas por um período prolongado pode acabar se acostumando com eles ou interpretando-os como parte da rotina, da personalidade ou de uma fase difícil.

Há ainda uma dimensão social. Apesar do avanço das conversas sobre saúde mental nos últimos anos, o estigma permanece como uma barreira relevante.

Segundo a OMS, pessoas que enfrentam problemas de saúde mental podem ter menor probabilidade de buscar ajuda e até de permanecer em tratamento em razão do preconceito e da discriminação associados a essas condições.

Pensamentos como “meu problema não é grave o suficiente”, “outras pessoas passam por coisas piores” ou “eu deveria conseguir resolver isso sozinho” também podem fazer com que a busca por apoio seja adiada.

Mas não existe uma quantidade mínima de sofrimento necessária para procurar ajuda.

Não é preciso chegar ao limite

Uma ideia importante na prevenção é justamente evitar que o cuidado comece apenas quando uma situação já se tornou uma emergência.

A identificação precoce, o tratamento e o acompanhamento de pessoas em sofrimento estão entre as estratégias recomendadas pela OMS para a prevenção do suicídio. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) também destaca a ampliação do acesso aos serviços de saúde mental e a redução do estigma como pontos fundamentais para enfrentar o problema.

Isso significa que procurar um psicólogo, psiquiatra ou outro profissional de saúde não precisa estar condicionado à existência de uma crise.

Mudanças persistentes de humor, ansiedade que interfere na rotina, dificuldade para dormir, sensação frequente de desesperança, perda de prazer nas atividades, isolamento ou a percepção de que está cada vez mais difícil lidar com as demandas do dia a dia já podem justificar uma avaliação.

O cuidado precoce permite compreender o que está acontecendo e definir, quando necessário, estratégias de acompanhamento e tratamento.

Falar sobre o sofrimento também faz parte da prevenção

Falar sobre saúde mental de forma aberta e responsável é uma das maneiras de reduzir o estigma que ainda cerca o sofrimento emocional e os transtornos mentais.

Isso é especialmente relevante porque o suicídio continua sendo um importante problema de saúde pública. Mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Nas Américas, o cenário também chama atenção: a taxa de mortalidade por suicídio aumentou mais de 17% desde 2000, fazendo da região a única do mundo a manter uma tendência de crescimento no período, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde.

Reduzir esses números envolve políticas públicas, acesso aos serviços de saúde e acompanhamento adequado, mas passa também por mudar a forma como o sofrimento emocional é percebido e discutido.

Quanto mais natural for reconhecer que alguém pode precisar de ajuda, menores tendem a ser as barreiras para procurar apoio antes que o sofrimento se agrave.

Como acolher alguém que pede ajuda?

Quando uma pessoa decide falar sobre o que está sentindo, a maneira como quem está ao redor responde pode fazer diferença.

Ouvir sem minimizar o sofrimento é um primeiro passo. Comentários como “isso é só uma fase”, “você precisa pensar positivo” ou “todo mundo tem problemas” podem ter a intenção de tranquilizar, mas também podem fazer com que a pessoa se sinta incompreendida.

Acolher não significa ter todas as respostas. Muitas vezes, significa estar disponível para ouvir, demonstrar preocupação e incentivar a busca por ajuda profissional.

Também não é necessário evitar o assunto por medo de piorar a situação. A OMS afirma que conversar diretamente sobre suicídio com uma pessoa que desperta preocupação não aumenta o risco nem incentiva o comportamento. Pelo contrário, a conversa pode diminuir a ansiedade e ajudá-la a se sentir compreendida.

Pedir ajuda também é uma forma de cuidado

Mudar a forma como encaramos a saúde mental passa por tornar o pedido de ajuda algo possível antes que o sofrimento se torne insustentável.

Assim como sintomas físicos persistentes podem levar alguém a procurar atendimento, alterações emocionais e comportamentais também merecem atenção.

Buscar ajuda não exige saber exatamente o que está acontecendo nem chegar ao consultório com um diagnóstico em mente. Às vezes, o primeiro passo é justamente dizer: “não estou me sentindo bem e preciso entender o que está acontecendo.”

Em situações de sofrimento intenso, pensamentos de morte ou risco de suicídio, é importante procurar ajuda imediatamente. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia. Em situações de emergência, também é possível procurar um serviço de pronto atendimento ou acionar o Samu pelo 192.

 

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