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Ansiedade pode causar dor física?

22 de agosto de 2026

Quando se fala em ansiedade, é comum pensar primeiro na preocupação excessiva, na sensação de estar sempre em alerta ou na dificuldade de relaxar. Mas a ansiedade também pode aparecer no corpo. E, em alguns casos, na forma de dor. Dor de cabeça, tensão muscular, desconforto no estômago e até dores pelo corpo estão entre […]

Ansiedade pode causar dor física?

Quando se fala em ansiedade, é comum pensar primeiro na preocupação excessiva, na sensação de estar sempre em alerta ou na dificuldade de relaxar. Mas a ansiedade também pode aparecer no corpo. E, em alguns casos, na forma de dor.

Dor de cabeça, tensão muscular, desconforto no estômago e até dores pelo corpo estão entre os sintomas físicos que podem acompanhar quadros de ansiedade. De acordo com o National Institute of Mental Health (NIMH), dores de cabeça, dores musculares, dor de estômago e tensão estão entre os possíveis sintomas do transtorno de ansiedade generalizada.

Mas como uma emoção pode provocar dor?

A explicação está, em parte, na maneira como o organismo reage diante de uma ameaça, real ou percebida.

Quando estamos ansiosos, o corpo entra em um estado de alerta. É uma resposta natural que prepara o organismo para lidar com situações de perigo. O problema é quando esse estado se prolonga: os músculos podem permanecer contraídos, a respiração pode ficar mais rápida e a atenção se volta constantemente para sinais de ameaça.

Essa combinação pode contribuir para o surgimento ou a intensificação de sintomas físicos, incluindo tensão e dores musculares, alterações digestivas e dores de cabeça.

A cabeça pode sentir primeiro

A dor de cabeça é um dos exemplos mais conhecidos. Nas chamadas cefaleias do tipo tensional, a dor costuma vir acompanhada de sensibilidade ou desconforto na região da cabeça, pescoço e ombros.

O estresse é considerado um dos principais gatilhos desse tipo de dor, e a ansiedade também pode participar desse processo. A tensão dos músculos do pescoço e do couro cabeludo pode estar relacionada ao estresse ou à ansiedade.

Mas há uma atualização importante nessa explicação: pesquisas mais recentes indicam que a cefaleia tensional não deve ser entendida simplesmente como resultado de músculos “contraídos”. A sensibilidade aumentada do sistema que processa a dor também parece ter um papel importante.

E quando a dor aparece no corpo?

A relação entre ansiedade e dor não acontece apenas na cabeça.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2024 no European Journal of Pain, que reuniu 52 estudos, encontrou uma associação moderada entre ansiedade e dor crônica em adultos.

Outra meta-análise, publicada em 2025 no JAMA Network Open, analisou 376 estudos, com mais de 347 mil pessoas com dor crônica. Os pesquisadores encontraram sintomas clinicamente significativos de ansiedade em cerca de 40% dos participantes.

Isso não significa, porém, que ansiedade seja a causa de toda dor. A relação entre os dois fenômenos é complexa e pode acontecer nos dois sentidos: a ansiedade pode contribuir para o surgimento ou agravamento da dor, enquanto conviver com uma dor persistente também pode aumentar a ansiedade.

A dor é real, mesmo quando a origem envolve a ansiedade

Essa é uma distinção importante.

Dizer que uma dor pode estar relacionada à ansiedade não significa dizer que ela está “só na cabeça”. A dor é uma experiência física real e envolve a maneira como o sistema nervoso detecta, processa e interpreta estímulos.

Uma meta-análise publicada em 2010 na revista Depression and Anxiety, que reuniu 41 estudos e 5.908 participantes, encontrou uma associação entre a sensibilidade à ansiedade — o medo ou a preocupação com as próprias sensações físicas — e a experiência de dor. Os resultados foram especialmente consistentes para a relação entre essa sensibilidade e a forma como as pessoas avaliam a dor.

Por isso, perceber que a dor aparece ou piora em momentos de maior ansiedade pode ser uma informação importante, mas não deve ser usada para descartar outras possibilidades.

Nem toda dor é ansiedade

Esse talvez seja o ponto mais importante: uma dor nova, intensa, persistente ou diferente do habitual merece investigação.

Ansiedade pode provocar sintomas físicos, mas também existem inúmeras condições médicas que podem causar dores semelhantes. O diagnóstico de um transtorno de ansiedade leva em consideração a história clínica e, quando necessário, a investigação de outras possíveis causas para os sintomas.

Por isso, entender a conexão entre mente e corpo não significa escolher entre “é físico” ou “é emocional”. Em muitos casos, é justamente reconhecer que as duas dimensões estão conectadas.

A ansiedade acontece no cérebro, mas seus efeitos podem ser sentidos no corpo inteiro.

 

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O que o pai come pode influenciar o peso do bebê ao nascer, sugere estudo

20 de agosto de 2026

Durante a gravidez, é comum que a alimentação da mãe receba grande atenção. Mas e a do pai? Um estudo brasileiro publicado na revista científica Nutrition Research sugere que os hábitos alimentares paternos também podem estar relacionados a algumas características do bebê ao nascer. A pesquisa encontrou uma associação entre um maior consumo de alimentos […]

O que o pai come pode influenciar o peso do bebê ao nascer, sugere estudo

Durante a gravidez, é comum que a alimentação da mãe receba grande atenção. Mas e a do pai? Um estudo brasileiro publicado na revista científica Nutrition Research sugere que os hábitos alimentares paternos também podem estar relacionados a algumas características do bebê ao nascer.

A pesquisa encontrou uma associação entre um maior consumo de alimentos ultraprocessados pelos pais e maior peso ao nascer, maior índice ponderal e maior espessura de algumas dobras cutâneas dos recém-nascidos. O índice ponderal é uma medida que relaciona peso e comprimento e ajuda a avaliar a proporção corporal do bebê.

O resultado chama atenção porque amplia uma discussão que, por muito tempo, ficou concentrada na saúde materna. Mas é importante fazer uma ressalva: o estudo não mostra que comer mais ultraprocessados fez os bebês nascerem maiores. Os próprios pesquisadores destacam que são necessários estudos maiores para confirmar os achados.

O que o estudo encontrou?

A pesquisa acompanhou 43 tríades formadas por pai, mãe e bebê em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Em média, os alimentos ultraprocessados representavam 30% das calorias consumidas pelos pais.

Entre os alimentos mais consumidos estavam embutidos, bacon, bebidas adoçadas com açúcar e biscoitos.

Depois de ajustes estatísticos, os pesquisadores encontraram associação entre a participação dos ultraprocessados na alimentação paterna e quatro características dos recém-nascidos:

  • peso ao nascer;
  • índice ponderal;
  • espessura da dobra cutânea suprailíaca;
  • espessura da dobra cutânea da coxa.

Para o peso ao nascer, por exemplo, cada aumento de um ponto percentual na participação dos ultraprocessados na dieta paterna esteve associado a um aumento de 12,81 gramas no peso do bebê, após os ajustes considerados no estudo.

Mas isso não significa que os bebês avaliados fossem simplesmente “mais gordos”. A pesquisa não encontrou associação entre o consumo paterno de ultraprocessados e a adiposidade neonatal, ou seja, a estimativa da quantidade de gordura corporal dos recém-nascidos.

Também não foram observadas associações com comprimento ao nascer, perímetro cefálico, algumas outras medidas de dobras cutâneas ou massa de gordura corporal.

Mas como a alimentação do pai poderia chegar ao bebê?

Essa é uma das questões mais interessantes levantadas pelo estudo.

Diferentemente da mãe, o pai não participa diretamente do ambiente intrauterino. Por isso, os pesquisadores discutem possíveis mecanismos que poderiam explicar a associação encontrada.

Um deles envolve a epigenética, conjunto de alterações que podem modificar a forma como os genes funcionam sem alterar a sequência do DNA.

Nesse contexto, a alimentação e outros fatores relacionados à saúde do homem antes da concepção poderiam influenciar características dos espermatozoides e, consequentemente, participar de processos relacionados ao desenvolvimento do bebê.

O estudo também cita possíveis alterações na metilação do DNA e mecanismos relacionados ao IGF-II, um fator de crescimento envolvido no desenvolvimento fetal.

Outra hipótese envolve processos inflamatórios e o aumento de espécies reativas de oxigênio, que poderiam afetar a qualidade dos espermatozoides.

É importante destacar, porém, que nenhum desses mecanismos foi medido diretamente nos pais que participaram da pesquisa. Eles são apresentados pelos autores como possíveis explicações para os resultados observados.

E a alimentação da mãe?

O estudo também avaliou o consumo materno de ultraprocessados e encontrou resultados diferentes.

Um maior consumo desses alimentos no início da gravidez, até a 16ª semana, apareceu associado a menor peso, comprimento, perímetro cefálico e índice ponderal dos bebês.

Os próprios pesquisadores ressaltam que os resultados paternos e maternos apontaram em direções diferentes e podem refletir uma relação complexa entre os hábitos alimentares dos dois pais e o crescimento fetal.

Por isso, não é possível interpretar os resultados como uma simples relação de “quanto mais ultraprocessado, maior ou menor o bebê”.

Um estudo pequeno, com resultados que precisam ser confirmados

O tamanho da amostra é uma das principais limitações da pesquisa. Apenas 43 pais tinham dados disponíveis para a análise principal, e algumas medidas dos recém-nascidos estavam disponíveis para um número ainda menor de participantes.

Além disso, a alimentação paterna foi avaliada durante a gravidez, e não diretamente no período anterior à concepção. Os pesquisadores usaram essas informações como uma aproximação do padrão alimentar pré-concepcional.

A alimentação também foi investigada por meio de apenas dois recordatórios de 24 horas. Embora esse método forneça informações detalhadas sobre o consumo alimentar, dois dias podem não representar completamente a dieta habitual de uma pessoa.

Os autores também destacam os intervalos de confiança relativamente amplos e o fato de terem sido analisados diversos desfechos. Isso aumenta a incerteza e significa que os resultados precisam ser interpretados com cautela.

Outro ponto é que todas as gestantes participantes apresentavam sobrepeso antes da gravidez. Portanto, ainda não se sabe se os mesmos resultados seriam observados em gestações de mulheres com outras características.

O que dá para concluir?

O estudo não permite afirmar que comer ultraprocessados causa alterações no peso ou nas medidas do bebê.

O que ele mostra é uma associação entre o consumo desses alimentos pelos pais e algumas medidas dos recém-nascidos, um resultado que levanta uma hipótese interessante sobre a importância da saúde paterna antes da concepção.

Por isso, os pesquisadores defendem novos estudos, com amostras maiores e avaliação mais precisa da alimentação antes da gravidez, para entender se essa relação realmente existe e quais mecanismos poderiam estar envolvidos.

A principal mensagem, por enquanto, é menos sobre um alimento específico e mais sobre uma mudança de perspectiva: quando o assunto é saúde reprodutiva e planejamento de uma gravidez, a saúde do pai também merece atenção.

 

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Overnight oats: o café da manhã prático que também pode fazer bem à saúde

6 de agosto de 2026

Nos últimos anos, as overnight oats deixaram de ser apenas uma receita popular nas redes sociais para se tornar uma alternativa prática para quem tem uma rotina corrida. Preparadas na noite anterior com aveia, leite ou bebida vegetal e ingredientes como frutas, sementes e iogurte, elas ficam prontas para o consumo na manhã seguinte, sem […]

Overnight oats: o café da manhã prático que também pode fazer bem à saúde

Nos últimos anos, as overnight oats deixaram de ser apenas uma receita popular nas redes sociais para se tornar uma alternativa prática para quem tem uma rotina corrida. Preparadas na noite anterior com aveia, leite ou bebida vegetal e ingredientes como frutas, sementes e iogurte, elas ficam prontas para o consumo na manhã seguinte, sem necessidade de cozimento.

Além da praticidade, esse tipo de preparo pode oferecer uma combinação equilibrada de carboidratos, proteínas, fibras e gorduras saudáveis, dependendo dos ingredientes escolhidos.

Por que as overnight oats ganharam espaço?

Para muitas pessoas, o café da manhã acaba sendo a refeição mais negligenciada do dia por falta de tempo. Ter uma opção pronta na geladeira reduz a necessidade de recorrer a alimentos ultraprocessados ou de simplesmente sair de casa sem comer.

Embora o hábito de tomar café da manhã não seja obrigatório para todos, especialistas destacam que, quando essa refeição faz parte da rotina, ela deve contribuir para o aporte de nutrientes importantes e promover saciedade.

A aveia é a protagonista

O principal ingrediente das overnight oats é a aveia, um cereal reconhecido por seu alto teor de fibras, especialmente a beta-glucana.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a beta-glucana auxilia na redução do colesterol LDL (“colesterol ruim”) quando consumida regularmente como parte de uma alimentação equilibrada.

Além disso, segundo a Harvard T.H. Chan School of Public Health, a aveia possui carboidratos de digestão mais lenta, contribuindo para uma liberação gradual de energia ao longo da manhã.

Mais saciedade e melhor controle da fome

Outro benefício está na combinação entre fibras e proteínas. Quando a receita inclui iogurte natural ou grego, leite e sementes como chia ou linhaça, ela tende a prolongar a sensação de saciedade.

Uma revisão científica publicada no periódico Nutrients mostrou que refeições ricas em fibras estão associadas a maior saciedade e podem contribuir para um melhor controle da ingestão alimentar ao longo do dia.

Isso não significa que a overnight oats seja um alimento para emagrecer por si só, mas pode facilitar escolhas alimentares mais equilibradas dentro de um padrão saudável.

Uma receita que pode ser personalizada

Uma das maiores vantagens das overnight oats é a versatilidade. É possível adaptar os ingredientes conforme as necessidades nutricionais e o gosto de cada pessoa.

Algumas combinações incluem:

  • aveia + iogurte natural + morangos + chia;
  • aveia + leite + banana + canela;
  • aveia + iogurte + manga + coco ralado sem açúcar;
  • aveia + kefir + frutas vermelhas + castanhas.

Para aumentar o valor nutricional, vale priorizar frutas frescas, sementes e oleaginosas, evitando excesso de açúcar, xaropes e coberturas ultraprocessadas.

O preparo muda os nutrientes?

Uma dúvida comum é se deixar a aveia hidratando durante a noite altera seus benefícios.

A resposta é não. O período de hidratação apenas amolece os grãos e melhora a textura da receita. Os principais nutrientes da aveia permanecem preservados. Além disso, a hidratação pode facilitar a digestão para algumas pessoas.

Vale a pena incluir na rotina?

Para quem busca um café da manhã rápido, nutritivo e fácil de preparar, as overnight oats podem ser uma excelente alternativa. Em poucos minutos de preparo na noite anterior, é possível garantir uma refeição equilibrada para começar o dia com mais praticidade.

Como acontece com qualquer alimento, os benefícios dependem do conjunto da alimentação e do estilo de vida. O segredo está na qualidade dos ingredientes e na variedade da dieta.

 

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Crianças e adolescentes em casa? Veja por que vale conferir a caderneta de vacinação

Se você tem crianças ou adolescentes em casa, este é um bom momento para conferir se a caderneta de vacinação está em dia. Até 1º de setembro, a Campanha Nacional de Multivacinação incentiva pais e responsáveis a revisarem o esquema vacinal de menores de 15 anos, ajudando a proteger contra doenças que podem ser prevenidas […]

Crianças e adolescentes em casa? Veja por que vale conferir a caderneta de vacinação

Se você tem crianças ou adolescentes em casa, este é um bom momento para conferir se a caderneta de vacinação está em dia. Até 1º de setembro, a Campanha Nacional de Multivacinação incentiva pais e responsáveis a revisarem o esquema vacinal de menores de 15 anos, ajudando a proteger contra doenças que podem ser prevenidas por meio da imunização.

Mais do que cumprir o calendário vacinal, atualizar a caderneta significa garantir uma proteção eficaz contra doenças que podem causar complicações graves e contribuir para a proteção de toda a comunidade.

Por que é importante conferir a caderneta de vacinação?

É comum acreditar que, depois de receber as vacinas da infância, a proteção está garantida para sempre. No entanto, isso nem sempre acontece.

Algumas vacinas exigem mais de uma dose para que o organismo desenvolva uma resposta imunológica adequada, enquanto outras precisam de doses de reforço para manter essa proteção ao longo do tempo. Além disso, novas vacinas podem ser incorporadas ao Calendário Nacional de Vacinação, tornando importante revisar periodicamente a caderneta.

De acordo com o Ministério da Saúde, a Campanha Nacional de Multivacinação tem justamente o objetivo de identificar e completar esquemas vacinais incompletos, garantindo que crianças e adolescentes recebam todas as doses recomendadas para sua faixa etária.

Como as vacinas protegem o organismo?

As vacinas estimulam o sistema imunológico a reconhecer vírus e bactérias antes mesmo que eles provoquem uma infecção. Assim, caso o organismo entre em contato com esses agentes no futuro, a resposta acontece de forma mais rápida e eficiente, reduzindo significativamente o risco de desenvolver formas graves da doença, de precisar de internação e até de morrer.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a vacinação previne entre 3,5 e 5 milhões de mortes por ano em todo o mundo por doenças como difteria, tétano, coqueluche, influenza e sarampo.

A vacinação também protege quem está ao redor

Além da proteção individual, as vacinas desempenham um papel fundamental na chamada imunidade coletiva.

Quando uma grande parcela da população está vacinada, a circulação de vírus e bactérias diminui, reduzindo o risco de transmissão e protegendo também pessoas que não podem receber determinadas vacinas, como alguns pacientes imunossuprimidos e bebês muito pequenos.

Por outro lado, quando a cobertura vacinal diminui, doenças que estavam controladas podem voltar a circular. Um exemplo é o sarampo, que voltou a registrar casos em diferentes regiões do país nos últimos anos, reforçando a importância de manter a vacinação em dia.

Quais vacinas podem ser atualizadas?

Durante a campanha, profissionais de saúde avaliam a situação vacinal de cada criança ou adolescente e verificam se existe alguma dose pendente conforme a idade e o histórico registrado na caderneta.

Entre as vacinas que podem ser indicadas estão aquelas que protegem contra poliomielite, sarampo, caxumba, rubéola, difteria, tétano, coqueluche, hepatites A e B, meningites, febre amarela, HPV, influenza, Covid-19 e dengue — nos municípios onde ela faz parte do calendário vacinal. A recomendação varia de acordo com a faixa etária e o esquema vacinal de cada pessoa.

 

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Por que a ciência ainda não conseguiu reproduzir integralmente o leite materno?

3 de agosto de 2026

Agosto é conhecido como Agosto Dourado, campanha dedicada à promoção do aleitamento materno e à conscientização sobre sua importância para a saúde de mães e bebês. Reconhecido como o alimento ideal para os primeiros meses de vida, o leite materno continua sendo objeto de estudos em diferentes áreas da ciência. Isso porque, apesar dos avanços […]

Por que a ciência ainda não conseguiu reproduzir integralmente o leite materno?

Agosto é conhecido como Agosto Dourado, campanha dedicada à promoção do aleitamento materno e à conscientização sobre sua importância para a saúde de mães e bebês. Reconhecido como o alimento ideal para os primeiros meses de vida, o leite materno continua sendo objeto de estudos em diferentes áreas da ciência. Isso porque, apesar dos avanços da medicina e da tecnologia, sua composição ainda não pode ser reproduzida integralmente em laboratório.

Mas o que torna o leite materno tão complexo?

Muito além da nutrição

Quando pensamos no leite materno, é comum associá-lo apenas à oferta de proteínas, gorduras, vitaminas e minerais. No entanto, sua composição vai muito além desses nutrientes.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o leite materno contém uma combinação de componentes bioativos que contribuem para o desenvolvimento do sistema imunológico, do trato gastrointestinal e de outros órgãos do bebê, além de oferecer proteção contra diversas infecções durante os primeiros meses de vida.

Entre esses componentes estão anticorpos, enzimas, hormônios, fatores de crescimento, células do sistema imunológico e microrganismos benéficos. Muitas dessas substâncias atuam em conjunto e ainda são alvo de pesquisas para que seus mecanismos de ação sejam totalmente compreendidos.

Uma composição que muda ao longo do tempo

Outro aspecto que diferencia o leite materno de qualquer outro alimento é sua capacidade de adaptação.

Segundo a Academia Americana de Pediatria (American Academy of Pediatrics – AAP), a composição do leite humano é dinâmica e se modifica naturalmente ao longo da lactação para acompanhar as necessidades do bebê.

Nos primeiros dias após o nascimento, por exemplo, é produzido o colostro, rico em proteínas e anticorpos. Com o passar das semanas, o leite passa por mudanças graduais em sua composição. Além disso, durante uma mesma mamada, sua concentração de gordura também varia, contribuindo tanto para a hidratação quanto para o aporte energético da criança.

Essa capacidade de adaptação é um dos principais motivos pelos quais o leite materno ainda representa um desafio para a ciência.

O papel das moléculas bioativas

Nas últimas décadas, pesquisadores passaram a compreender melhor a complexidade do leite humano.

Uma revisão publicada em 2024 na revista científica Nutrients destaca que o leite materno contém centenas de moléculas bioativas, incluindo os chamados oligossacarídeos do leite humano (HMOs). Mais de 200 estruturas diferentes desses compostos já foram identificadas.

Embora sejam carboidratos, os HMOs praticamente não têm função nutricional direta para o bebê. Seu principal papel é estimular o crescimento de bactérias benéficas no intestino, favorecer a formação da microbiota intestinal e dificultar a adesão de microrganismos potencialmente causadores de doenças.

Além dos HMOs, o leite humano contém substâncias com ação anti-inflamatória, antioxidante e imunomoduladora, que continuam sendo investigadas por pesquisadores devido ao seu potencial impacto no desenvolvimento infantil.

Por que isso ainda não pode ser reproduzido?

Os avanços da ciência permitiram o desenvolvimento de fórmulas infantis cada vez mais seguras e nutricionalmente completas, fundamentais quando a amamentação não é possível ou não é indicada.

No entanto, segundo uma revisão publicada na revista Advances in Nutrition, o grande desafio não está apenas em reproduzir os nutrientes presentes no leite materno, mas em compreender e replicar a interação entre centenas de componentes bioativos que atuam de forma integrada e cuja composição muda continuamente ao longo da lactação.

Em outras palavras, enquanto uma fórmula infantil possui composição padronizada para garantir qualidade e segurança, o leite materno é um sistema biológico dinâmico, capaz de sofrer alterações naturais conforme o estágio da amamentação e o desenvolvimento do bebê.

O que isso significa na prática?

As descobertas científicas sobre o leite materno têm contribuído para ampliar o conhecimento sobre a nutrição infantil e para o aperfeiçoamento das fórmulas disponíveis atualmente. Ainda assim, a comunidade científica reconhece que muitos aspectos de sua composição e de seu funcionamento permanecem em investigação.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade e sua continuidade, juntamente com a alimentação complementar adequada, até os dois anos ou mais. Quando a amamentação não é possível, as fórmulas infantis representam uma alternativa segura e importante, desde que utilizadas com orientação de profissionais de saúde.

Mais do que uma fonte de nutrientes, o leite materno é considerado um dos sistemas biológicos mais complexos já estudados. A cada nova pesquisa, a ciência amplia o conhecimento sobre seus componentes e funções, mas ainda não conseguiu reproduzir integralmente essa combinação única desenvolvida pela natureza.