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Açúcar, mel ou adoçante: qual escolher?

28 de agosto de 2026

Na hora de adoçar o café, o chá, uma fruta ou uma receita, é comum surgir a dúvida: açúcar, mel ou adoçante? Como cada opção tem características diferentes, escolher a melhor depende do contexto, e nenhuma delas transforma, sozinha, uma alimentação mais saudável. Mais do que procurar um “vencedor”, a principal recomendação é prestar atenção […]

Açúcar, mel ou adoçante: qual escolher?

Na hora de adoçar o café, o chá, uma fruta ou uma receita, é comum surgir a dúvida: açúcar, mel ou adoçante? Como cada opção tem características diferentes, escolher a melhor depende do contexto, e nenhuma delas transforma, sozinha, uma alimentação mais saudável.

Mais do que procurar um “vencedor”, a principal recomendação é prestar atenção à quantidade e à frequência com que alimentos e bebidas são adoçados.

Açúcar: o mais conhecido

O açúcar de mesa é composto principalmente por sacarose e fornece energia, mas praticamente não oferece outros nutrientes relevantes. O problema não está em consumir uma pequena quantidade eventualmente, e sim no excesso.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os chamados açúcares livres devem representar menos de 10% das calorias consumidas diariamente. A recomendação inclui uma redução ainda maior, para menos de 5%, que pode trazer benefícios adicionais.

E aqui entra uma informação importante: açúcar livre não é apenas aquele que colocamos no café ou na receita. A definição da OMS também inclui os açúcares adicionados aos alimentos e bebidas pela indústria ou pelo consumidor.

Por isso, olhar apenas para o açúcar que vai na colher pode esconder uma parte importante do consumo diário.

E o mel? É mais saudável?

O mel costuma ser visto como uma alternativa mais natural ao açúcar. De fato, ele contém pequenas quantidades de outros componentes, como minerais e compostos bioativos. Mas isso não muda um ponto fundamental: o açúcar naturalmente presente no mel também é classificado pela OMS como açúcar livre.

Na prática, portanto, trocar açúcar por mel não significa deixar de consumir açúcar.

Isso não quer dizer que o mel precise ser eliminado da alimentação. Ele pode fazer parte de uma dieta equilibrada, mas é melhor não tratá-lo como uma opção “liberada” ou muito diferente do açúcar quando o assunto é controlar a ingestão de açúcares livres.

E o adoçante?

Os adoçantes não açucarados, como stevia, sucralose, sacarina e aspartame, podem adoçar alimentos e bebidas sem fornecer a mesma quantidade de energia do açúcar.

Isso pode parecer uma solução simples para quem quer reduzir o consumo de açúcar. Mas a recomendação da OMS é mais cuidadosa.

Em uma diretriz publicada em 2023, a organização não recomenda o uso de adoçantes não açucarados como estratégia para controlar o peso ou reduzir o risco de doenças crônicas. A recomendação é condicional e não significa que esses produtos sejam considerados tóxicos ou que devam ser proibidos. O ponto é que as evidências disponíveis não demonstraram benefício de longo prazo para o controle do peso.

A OMS também chama atenção para outro aspecto: substituir o açúcar por adoçante não necessariamente muda a qualidade geral da alimentação.

Então, qual dos três é melhor?

Depende do contexto, mas existe uma resposta que costuma ser mais útil do que simplesmente escolher um produto: reduzir a necessidade de adoçar tudo.

O próprio Ministério da Saúde recomenda utilizar ingredientes culinários como açúcar em pequenas quantidades e priorizar alimentos in natura ou minimamente processados.

Isso pode significar, por exemplo, diminuir gradualmente a quantidade de açúcar no café, experimentar um iogurte natural com frutas em vez de versões já adoçadas ou usar frutas maduras para acrescentar doçura a algumas preparações.

A ideia não é transformar o sabor doce em um vilão. É evitar que ele esteja presente em excesso ao longo do dia.

E quando o adoçante pode fazer sentido?

Para algumas pessoas, o adoçante pode ser uma ferramenta para diminuir a quantidade de açúcar consumida, especialmente quando a substituição ajuda a reduzir a ingestão de açúcares livres.

Mas existe uma diferença entre usar um adoçante pontualmente e consumir produtos adoçados o dia inteiro.

Além disso, é importante lembrar que um produto “zero açúcar” não é automaticamente saudável. Refrigerantes, bebidas, sobremesas e outros ultraprocessados podem conter adoçantes e continuar fazendo parte de uma alimentação de baixa qualidade. O Ministério da Saúde recomenda observar não apenas um ingrediente isolado, mas o nível de processamento e o conjunto da alimentação.

O melhor adoçante pode ser comer menos doce

No fim, a escolha entre açúcar, mel e adoçante é menos importante do que parece.

Se a pessoa usa açúcar em pequena quantidade, uma eventual troca por mel não necessariamente representa uma grande mudança. Da mesma forma, substituir açúcar por adoçante pode reduzir a ingestão de açúcar, mas não resolve sozinho uma alimentação baseada em produtos muito doces ou ultraprocessados.

Por isso, em vez de procurar um substituto perfeito, vale reduzir aos poucos a preferência por sabores muito doces e deixar que alimentos como frutas ocupem mais espaço na alimentação.

 

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Doação de sangue: novas regras reduzem o tempo de espera em diferentes situações

27 de agosto de 2026

Doar sangue é um gesto simples, mas que depende de uma série de critérios para garantir a segurança tanto de quem doa quanto de quem recebe a transfusão. E essas regras vão mudar. A partir de 30 de setembro de 2026, entram em vigor novas normas do Ministério da Saúde que atualizam os critérios de […]

Doação de sangue: novas regras reduzem o tempo de espera em diferentes situações

Doar sangue é um gesto simples, mas que depende de uma série de critérios para garantir a segurança tanto de quem doa quanto de quem recebe a transfusão. E essas regras vão mudar. A partir de 30 de setembro de 2026, entram em vigor novas normas do Ministério da Saúde que atualizam os critérios de seleção de doadores no Brasil.

Entre as mudanças estão a redução do tempo de espera depois de tatuagens e alguns procedimentos médicos, novos critérios para pessoas que tiveram determinadas doenças e a inclusão de grupos que antes eram considerados permanentemente impedidos de doar.

A atualização foi estabelecida pela Portaria GM/MS nº 11.685, de 2 de julho de 2026, que revisa as normas técnicas para os procedimentos hemoterápicos no país.

Tatuagem e piercing terão prazos menores

Quem fez tatuagem, micropigmentação ou maquiagem definitiva poderá doar sangue depois de apenas sete dias, desde que seja possível comprovar que o estabelecimento onde o procedimento foi realizado está regularizado.

Quando não houver essa comprovação, o prazo de espera será de quatro meses. Antes, o período poderia chegar a seis ou 12 meses, dependendo da situação.

Para quem colocou piercing na boca ou na região genital, o intervalo continua maior: são quatro meses, devido ao maior risco de infecção associado a essas áreas.

A mudança não significa que qualquer pessoa possa doar imediatamente após esses procedimentos. A avaliação continua sendo feita individualmente durante a triagem do hemocentro.

Alguns procedimentos médicos também terão espera menor

As novas regras revisam outros períodos de inaptidão temporária.

Depois de uma cirurgia bariátrica, por exemplo, a pessoa poderá doar sangue seis meses após atingir peso estável. O prazo anterior era de 12 meses.

Para quem passou por endoscopia ou colonoscopia, o intervalo cai de seis para quatro meses.

Já pessoas com histórico de tuberculose poderão doar dois anos após a cura, em vez dos cinco anos previstos anteriormente.

Outra mudança envolve quem tem rinite: depois do desaparecimento dos sintomas, não será mais necessário cumprir um período adicional de espera.

Quem usa canetas emagrecedoras também precisa ficar atento

Os medicamentos também entram nos novos critérios.

Quem utiliza medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, deverá aguardar quatro meses para doar sangue.

As regras para quem utiliza PrEP, a profilaxia pré-exposição ao HIV, também foram atualizadas. No caso da versão oral, o prazo é de quatro meses após a última dose. Para a PrEP injetável, o período é de dois anos.

Esses intervalos fazem parte dos critérios de segurança utilizados na seleção dos doadores e não significam, por si só, que esses medicamentos impeçam definitivamente a doação.

Algumas infecções passam a ter prazos específicos

A nova regulamentação também estabelece períodos de espera depois de algumas infecções virais.

Para quem teve Covid-19, por exemplo, a doação poderá ocorrer 10 dias após o fim dos sintomas, desde que não tenham permanecido manifestações clínicas prolongadas.

Nos casos de chikungunya e MERS, o prazo é de 30 dias após o fim dos sintomas. Para Oropouche, são quatro semanas depois do desaparecimento das manifestações, com um período adicional em determinadas situações envolvendo contato sexual com pessoa diagnosticada com a doença.

A definição desses intervalos considera o período de recuperação e os possíveis riscos relacionados à transmissão de infecções por meio da transfusão.

Pessoas que tiveram câncer podem voltar a doar em alguns casos

Outra mudança importante envolve pessoas com histórico de câncer.

Pelas novas regras, quem teve a doença poderá ser considerado apto a doar cinco anos após o tratamento, desde que haja confirmação de cura ou remissão.

A medida, porém, não vale para todos os tipos de câncer. Pessoas com histórico de melanoma, leucemia, linfoma ou mieloma continuam consideradas inaptas para a doação.

Também foram incluídos entre os possíveis doadores alguns grupos que antes tinham inaptidão definitiva, como pessoas com tireoidite de Hashimoto e aquelas com hipertireoidismo que não esteja relacionado à doença de Graves.

As novas regras já estão valendo?

Ainda não. A Portaria GM/MS nº 11.685/2026 foi publicada em julho, mas as mudanças entram em vigor em 30 de setembro de 2026.

Até lá, os hemocentros seguem os critérios atualmente vigentes e passam pelo período de adaptação às novas normas.

Mesmo depois da mudança, cumprir um determinado prazo não significa que a doação estará automaticamente liberada. A aptidão é definida durante a triagem, que considera o estado de saúde, medicamentos em uso, procedimentos recentes, histórico de doenças e outros fatores.

Por isso, quem pretende doar deve consultar o hemocentro antes de ir. E, se estiver apto, aproveitar a oportunidade: uma única doação pode ajudar diferentes pessoas que precisam de uma transfusão.

 

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Ansiedade pode causar dor física?

22 de agosto de 2026

Quando se fala em ansiedade, é comum pensar primeiro na preocupação excessiva, na sensação de estar sempre em alerta ou na dificuldade de relaxar. Mas a ansiedade também pode aparecer no corpo. E, em alguns casos, na forma de dor. Dor de cabeça, tensão muscular, desconforto no estômago e até dores pelo corpo estão entre […]

Ansiedade pode causar dor física?

Quando se fala em ansiedade, é comum pensar primeiro na preocupação excessiva, na sensação de estar sempre em alerta ou na dificuldade de relaxar. Mas a ansiedade também pode aparecer no corpo. E, em alguns casos, na forma de dor.

Dor de cabeça, tensão muscular, desconforto no estômago e até dores pelo corpo estão entre os sintomas físicos que podem acompanhar quadros de ansiedade. De acordo com o National Institute of Mental Health (NIMH), dores de cabeça, dores musculares, dor de estômago e tensão estão entre os possíveis sintomas do transtorno de ansiedade generalizada.

Mas como uma emoção pode provocar dor?

A explicação está, em parte, na maneira como o organismo reage diante de uma ameaça, real ou percebida.

Quando estamos ansiosos, o corpo entra em um estado de alerta. É uma resposta natural que prepara o organismo para lidar com situações de perigo. O problema é quando esse estado se prolonga: os músculos podem permanecer contraídos, a respiração pode ficar mais rápida e a atenção se volta constantemente para sinais de ameaça.

Essa combinação pode contribuir para o surgimento ou a intensificação de sintomas físicos, incluindo tensão e dores musculares, alterações digestivas e dores de cabeça.

A cabeça pode sentir primeiro

A dor de cabeça é um dos exemplos mais conhecidos. Nas chamadas cefaleias do tipo tensional, a dor costuma vir acompanhada de sensibilidade ou desconforto na região da cabeça, pescoço e ombros.

O estresse é considerado um dos principais gatilhos desse tipo de dor, e a ansiedade também pode participar desse processo. A tensão dos músculos do pescoço e do couro cabeludo pode estar relacionada ao estresse ou à ansiedade.

Mas há uma atualização importante nessa explicação: pesquisas mais recentes indicam que a cefaleia tensional não deve ser entendida simplesmente como resultado de músculos “contraídos”. A sensibilidade aumentada do sistema que processa a dor também parece ter um papel importante.

E quando a dor aparece no corpo?

A relação entre ansiedade e dor não acontece apenas na cabeça.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2024 no European Journal of Pain, que reuniu 52 estudos, encontrou uma associação moderada entre ansiedade e dor crônica em adultos.

Outra meta-análise, publicada em 2025 no JAMA Network Open, analisou 376 estudos, com mais de 347 mil pessoas com dor crônica. Os pesquisadores encontraram sintomas clinicamente significativos de ansiedade em cerca de 40% dos participantes.

Isso não significa, porém, que ansiedade seja a causa de toda dor. A relação entre os dois fenômenos é complexa e pode acontecer nos dois sentidos: a ansiedade pode contribuir para o surgimento ou agravamento da dor, enquanto conviver com uma dor persistente também pode aumentar a ansiedade.

A dor é real, mesmo quando a origem envolve a ansiedade

Essa é uma distinção importante.

Dizer que uma dor pode estar relacionada à ansiedade não significa dizer que ela está “só na cabeça”. A dor é uma experiência física real e envolve a maneira como o sistema nervoso detecta, processa e interpreta estímulos.

Uma meta-análise publicada em 2010 na revista Depression and Anxiety, que reuniu 41 estudos e 5.908 participantes, encontrou uma associação entre a sensibilidade à ansiedade — o medo ou a preocupação com as próprias sensações físicas — e a experiência de dor. Os resultados foram especialmente consistentes para a relação entre essa sensibilidade e a forma como as pessoas avaliam a dor.

Por isso, perceber que a dor aparece ou piora em momentos de maior ansiedade pode ser uma informação importante, mas não deve ser usada para descartar outras possibilidades.

Nem toda dor é ansiedade

Esse talvez seja o ponto mais importante: uma dor nova, intensa, persistente ou diferente do habitual merece investigação.

Ansiedade pode provocar sintomas físicos, mas também existem inúmeras condições médicas que podem causar dores semelhantes. O diagnóstico de um transtorno de ansiedade leva em consideração a história clínica e, quando necessário, a investigação de outras possíveis causas para os sintomas.

Por isso, entender a conexão entre mente e corpo não significa escolher entre “é físico” ou “é emocional”. Em muitos casos, é justamente reconhecer que as duas dimensões estão conectadas.

A ansiedade acontece no cérebro, mas seus efeitos podem ser sentidos no corpo inteiro.

 

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O que o pai come pode influenciar o peso do bebê ao nascer, sugere estudo

20 de agosto de 2026

Durante a gravidez, é comum que a alimentação da mãe receba grande atenção. Mas e a do pai? Um estudo brasileiro publicado na revista científica Nutrition Research sugere que os hábitos alimentares paternos também podem estar relacionados a algumas características do bebê ao nascer. A pesquisa encontrou uma associação entre um maior consumo de alimentos […]

O que o pai come pode influenciar o peso do bebê ao nascer, sugere estudo

Durante a gravidez, é comum que a alimentação da mãe receba grande atenção. Mas e a do pai? Um estudo brasileiro publicado na revista científica Nutrition Research sugere que os hábitos alimentares paternos também podem estar relacionados a algumas características do bebê ao nascer.

A pesquisa encontrou uma associação entre um maior consumo de alimentos ultraprocessados pelos pais e maior peso ao nascer, maior índice ponderal e maior espessura de algumas dobras cutâneas dos recém-nascidos. O índice ponderal é uma medida que relaciona peso e comprimento e ajuda a avaliar a proporção corporal do bebê.

O resultado chama atenção porque amplia uma discussão que, por muito tempo, ficou concentrada na saúde materna. Mas é importante fazer uma ressalva: o estudo não mostra que comer mais ultraprocessados fez os bebês nascerem maiores. Os próprios pesquisadores destacam que são necessários estudos maiores para confirmar os achados.

O que o estudo encontrou?

A pesquisa acompanhou 43 tríades formadas por pai, mãe e bebê em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Em média, os alimentos ultraprocessados representavam 30% das calorias consumidas pelos pais.

Entre os alimentos mais consumidos estavam embutidos, bacon, bebidas adoçadas com açúcar e biscoitos.

Depois de ajustes estatísticos, os pesquisadores encontraram associação entre a participação dos ultraprocessados na alimentação paterna e quatro características dos recém-nascidos:

  • peso ao nascer;
  • índice ponderal;
  • espessura da dobra cutânea suprailíaca;
  • espessura da dobra cutânea da coxa.

Para o peso ao nascer, por exemplo, cada aumento de um ponto percentual na participação dos ultraprocessados na dieta paterna esteve associado a um aumento de 12,81 gramas no peso do bebê, após os ajustes considerados no estudo.

Mas isso não significa que os bebês avaliados fossem simplesmente “mais gordos”. A pesquisa não encontrou associação entre o consumo paterno de ultraprocessados e a adiposidade neonatal, ou seja, a estimativa da quantidade de gordura corporal dos recém-nascidos.

Também não foram observadas associações com comprimento ao nascer, perímetro cefálico, algumas outras medidas de dobras cutâneas ou massa de gordura corporal.

Mas como a alimentação do pai poderia chegar ao bebê?

Essa é uma das questões mais interessantes levantadas pelo estudo.

Diferentemente da mãe, o pai não participa diretamente do ambiente intrauterino. Por isso, os pesquisadores discutem possíveis mecanismos que poderiam explicar a associação encontrada.

Um deles envolve a epigenética, conjunto de alterações que podem modificar a forma como os genes funcionam sem alterar a sequência do DNA.

Nesse contexto, a alimentação e outros fatores relacionados à saúde do homem antes da concepção poderiam influenciar características dos espermatozoides e, consequentemente, participar de processos relacionados ao desenvolvimento do bebê.

O estudo também cita possíveis alterações na metilação do DNA e mecanismos relacionados ao IGF-II, um fator de crescimento envolvido no desenvolvimento fetal.

Outra hipótese envolve processos inflamatórios e o aumento de espécies reativas de oxigênio, que poderiam afetar a qualidade dos espermatozoides.

É importante destacar, porém, que nenhum desses mecanismos foi medido diretamente nos pais que participaram da pesquisa. Eles são apresentados pelos autores como possíveis explicações para os resultados observados.

E a alimentação da mãe?

O estudo também avaliou o consumo materno de ultraprocessados e encontrou resultados diferentes.

Um maior consumo desses alimentos no início da gravidez, até a 16ª semana, apareceu associado a menor peso, comprimento, perímetro cefálico e índice ponderal dos bebês.

Os próprios pesquisadores ressaltam que os resultados paternos e maternos apontaram em direções diferentes e podem refletir uma relação complexa entre os hábitos alimentares dos dois pais e o crescimento fetal.

Por isso, não é possível interpretar os resultados como uma simples relação de “quanto mais ultraprocessado, maior ou menor o bebê”.

Um estudo pequeno, com resultados que precisam ser confirmados

O tamanho da amostra é uma das principais limitações da pesquisa. Apenas 43 pais tinham dados disponíveis para a análise principal, e algumas medidas dos recém-nascidos estavam disponíveis para um número ainda menor de participantes.

Além disso, a alimentação paterna foi avaliada durante a gravidez, e não diretamente no período anterior à concepção. Os pesquisadores usaram essas informações como uma aproximação do padrão alimentar pré-concepcional.

A alimentação também foi investigada por meio de apenas dois recordatórios de 24 horas. Embora esse método forneça informações detalhadas sobre o consumo alimentar, dois dias podem não representar completamente a dieta habitual de uma pessoa.

Os autores também destacam os intervalos de confiança relativamente amplos e o fato de terem sido analisados diversos desfechos. Isso aumenta a incerteza e significa que os resultados precisam ser interpretados com cautela.

Outro ponto é que todas as gestantes participantes apresentavam sobrepeso antes da gravidez. Portanto, ainda não se sabe se os mesmos resultados seriam observados em gestações de mulheres com outras características.

O que dá para concluir?

O estudo não permite afirmar que comer ultraprocessados causa alterações no peso ou nas medidas do bebê.

O que ele mostra é uma associação entre o consumo desses alimentos pelos pais e algumas medidas dos recém-nascidos, um resultado que levanta uma hipótese interessante sobre a importância da saúde paterna antes da concepção.

Por isso, os pesquisadores defendem novos estudos, com amostras maiores e avaliação mais precisa da alimentação antes da gravidez, para entender se essa relação realmente existe e quais mecanismos poderiam estar envolvidos.

A principal mensagem, por enquanto, é menos sobre um alimento específico e mais sobre uma mudança de perspectiva: quando o assunto é saúde reprodutiva e planejamento de uma gravidez, a saúde do pai também merece atenção.

 

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Overnight oats: o café da manhã prático que também pode fazer bem à saúde

6 de agosto de 2026

Nos últimos anos, as overnight oats deixaram de ser apenas uma receita popular nas redes sociais para se tornar uma alternativa prática para quem tem uma rotina corrida. Preparadas na noite anterior com aveia, leite ou bebida vegetal e ingredientes como frutas, sementes e iogurte, elas ficam prontas para o consumo na manhã seguinte, sem […]

Overnight oats: o café da manhã prático que também pode fazer bem à saúde

Nos últimos anos, as overnight oats deixaram de ser apenas uma receita popular nas redes sociais para se tornar uma alternativa prática para quem tem uma rotina corrida. Preparadas na noite anterior com aveia, leite ou bebida vegetal e ingredientes como frutas, sementes e iogurte, elas ficam prontas para o consumo na manhã seguinte, sem necessidade de cozimento.

Além da praticidade, esse tipo de preparo pode oferecer uma combinação equilibrada de carboidratos, proteínas, fibras e gorduras saudáveis, dependendo dos ingredientes escolhidos.

Por que as overnight oats ganharam espaço?

Para muitas pessoas, o café da manhã acaba sendo a refeição mais negligenciada do dia por falta de tempo. Ter uma opção pronta na geladeira reduz a necessidade de recorrer a alimentos ultraprocessados ou de simplesmente sair de casa sem comer.

Embora o hábito de tomar café da manhã não seja obrigatório para todos, especialistas destacam que, quando essa refeição faz parte da rotina, ela deve contribuir para o aporte de nutrientes importantes e promover saciedade.

A aveia é a protagonista

O principal ingrediente das overnight oats é a aveia, um cereal reconhecido por seu alto teor de fibras, especialmente a beta-glucana.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a beta-glucana auxilia na redução do colesterol LDL (“colesterol ruim”) quando consumida regularmente como parte de uma alimentação equilibrada.

Além disso, segundo a Harvard T.H. Chan School of Public Health, a aveia possui carboidratos de digestão mais lenta, contribuindo para uma liberação gradual de energia ao longo da manhã.

Mais saciedade e melhor controle da fome

Outro benefício está na combinação entre fibras e proteínas. Quando a receita inclui iogurte natural ou grego, leite e sementes como chia ou linhaça, ela tende a prolongar a sensação de saciedade.

Uma revisão científica publicada no periódico Nutrients mostrou que refeições ricas em fibras estão associadas a maior saciedade e podem contribuir para um melhor controle da ingestão alimentar ao longo do dia.

Isso não significa que a overnight oats seja um alimento para emagrecer por si só, mas pode facilitar escolhas alimentares mais equilibradas dentro de um padrão saudável.

Uma receita que pode ser personalizada

Uma das maiores vantagens das overnight oats é a versatilidade. É possível adaptar os ingredientes conforme as necessidades nutricionais e o gosto de cada pessoa.

Algumas combinações incluem:

  • aveia + iogurte natural + morangos + chia;
  • aveia + leite + banana + canela;
  • aveia + iogurte + manga + coco ralado sem açúcar;
  • aveia + kefir + frutas vermelhas + castanhas.

Para aumentar o valor nutricional, vale priorizar frutas frescas, sementes e oleaginosas, evitando excesso de açúcar, xaropes e coberturas ultraprocessadas.

O preparo muda os nutrientes?

Uma dúvida comum é se deixar a aveia hidratando durante a noite altera seus benefícios.

A resposta é não. O período de hidratação apenas amolece os grãos e melhora a textura da receita. Os principais nutrientes da aveia permanecem preservados. Além disso, a hidratação pode facilitar a digestão para algumas pessoas.

Vale a pena incluir na rotina?

Para quem busca um café da manhã rápido, nutritivo e fácil de preparar, as overnight oats podem ser uma excelente alternativa. Em poucos minutos de preparo na noite anterior, é possível garantir uma refeição equilibrada para começar o dia com mais praticidade.

Como acontece com qualquer alimento, os benefícios dependem do conjunto da alimentação e do estilo de vida. O segredo está na qualidade dos ingredientes e na variedade da dieta.

 

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Crianças e adolescentes em casa? Veja por que vale conferir a caderneta de vacinação

Se você tem crianças ou adolescentes em casa, este é um bom momento para conferir se a caderneta de vacinação está em dia. Até 1º de setembro, a Campanha Nacional de Multivacinação incentiva pais e responsáveis a revisarem o esquema vacinal de menores de 15 anos, ajudando a proteger contra doenças que podem ser prevenidas […]

Crianças e adolescentes em casa? Veja por que vale conferir a caderneta de vacinação

Se você tem crianças ou adolescentes em casa, este é um bom momento para conferir se a caderneta de vacinação está em dia. Até 1º de setembro, a Campanha Nacional de Multivacinação incentiva pais e responsáveis a revisarem o esquema vacinal de menores de 15 anos, ajudando a proteger contra doenças que podem ser prevenidas por meio da imunização.

Mais do que cumprir o calendário vacinal, atualizar a caderneta significa garantir uma proteção eficaz contra doenças que podem causar complicações graves e contribuir para a proteção de toda a comunidade.

Por que é importante conferir a caderneta de vacinação?

É comum acreditar que, depois de receber as vacinas da infância, a proteção está garantida para sempre. No entanto, isso nem sempre acontece.

Algumas vacinas exigem mais de uma dose para que o organismo desenvolva uma resposta imunológica adequada, enquanto outras precisam de doses de reforço para manter essa proteção ao longo do tempo. Além disso, novas vacinas podem ser incorporadas ao Calendário Nacional de Vacinação, tornando importante revisar periodicamente a caderneta.

De acordo com o Ministério da Saúde, a Campanha Nacional de Multivacinação tem justamente o objetivo de identificar e completar esquemas vacinais incompletos, garantindo que crianças e adolescentes recebam todas as doses recomendadas para sua faixa etária.

Como as vacinas protegem o organismo?

As vacinas estimulam o sistema imunológico a reconhecer vírus e bactérias antes mesmo que eles provoquem uma infecção. Assim, caso o organismo entre em contato com esses agentes no futuro, a resposta acontece de forma mais rápida e eficiente, reduzindo significativamente o risco de desenvolver formas graves da doença, de precisar de internação e até de morrer.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a vacinação previne entre 3,5 e 5 milhões de mortes por ano em todo o mundo por doenças como difteria, tétano, coqueluche, influenza e sarampo.

A vacinação também protege quem está ao redor

Além da proteção individual, as vacinas desempenham um papel fundamental na chamada imunidade coletiva.

Quando uma grande parcela da população está vacinada, a circulação de vírus e bactérias diminui, reduzindo o risco de transmissão e protegendo também pessoas que não podem receber determinadas vacinas, como alguns pacientes imunossuprimidos e bebês muito pequenos.

Por outro lado, quando a cobertura vacinal diminui, doenças que estavam controladas podem voltar a circular. Um exemplo é o sarampo, que voltou a registrar casos em diferentes regiões do país nos últimos anos, reforçando a importância de manter a vacinação em dia.

Quais vacinas podem ser atualizadas?

Durante a campanha, profissionais de saúde avaliam a situação vacinal de cada criança ou adolescente e verificam se existe alguma dose pendente conforme a idade e o histórico registrado na caderneta.

Entre as vacinas que podem ser indicadas estão aquelas que protegem contra poliomielite, sarampo, caxumba, rubéola, difteria, tétano, coqueluche, hepatites A e B, meningites, febre amarela, HPV, influenza, Covid-19 e dengue — nos municípios onde ela faz parte do calendário vacinal. A recomendação varia de acordo com a faixa etária e o esquema vacinal de cada pessoa.

 

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Por que a ciência ainda não conseguiu reproduzir integralmente o leite materno?

3 de agosto de 2026

Agosto é conhecido como Agosto Dourado, campanha dedicada à promoção do aleitamento materno e à conscientização sobre sua importância para a saúde de mães e bebês. Reconhecido como o alimento ideal para os primeiros meses de vida, o leite materno continua sendo objeto de estudos em diferentes áreas da ciência. Isso porque, apesar dos avanços […]

Por que a ciência ainda não conseguiu reproduzir integralmente o leite materno?

Agosto é conhecido como Agosto Dourado, campanha dedicada à promoção do aleitamento materno e à conscientização sobre sua importância para a saúde de mães e bebês. Reconhecido como o alimento ideal para os primeiros meses de vida, o leite materno continua sendo objeto de estudos em diferentes áreas da ciência. Isso porque, apesar dos avanços da medicina e da tecnologia, sua composição ainda não pode ser reproduzida integralmente em laboratório.

Mas o que torna o leite materno tão complexo?

Muito além da nutrição

Quando pensamos no leite materno, é comum associá-lo apenas à oferta de proteínas, gorduras, vitaminas e minerais. No entanto, sua composição vai muito além desses nutrientes.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o leite materno contém uma combinação de componentes bioativos que contribuem para o desenvolvimento do sistema imunológico, do trato gastrointestinal e de outros órgãos do bebê, além de oferecer proteção contra diversas infecções durante os primeiros meses de vida.

Entre esses componentes estão anticorpos, enzimas, hormônios, fatores de crescimento, células do sistema imunológico e microrganismos benéficos. Muitas dessas substâncias atuam em conjunto e ainda são alvo de pesquisas para que seus mecanismos de ação sejam totalmente compreendidos.

Uma composição que muda ao longo do tempo

Outro aspecto que diferencia o leite materno de qualquer outro alimento é sua capacidade de adaptação.

Segundo a Academia Americana de Pediatria (American Academy of Pediatrics – AAP), a composição do leite humano é dinâmica e se modifica naturalmente ao longo da lactação para acompanhar as necessidades do bebê.

Nos primeiros dias após o nascimento, por exemplo, é produzido o colostro, rico em proteínas e anticorpos. Com o passar das semanas, o leite passa por mudanças graduais em sua composição. Além disso, durante uma mesma mamada, sua concentração de gordura também varia, contribuindo tanto para a hidratação quanto para o aporte energético da criança.

Essa capacidade de adaptação é um dos principais motivos pelos quais o leite materno ainda representa um desafio para a ciência.

O papel das moléculas bioativas

Nas últimas décadas, pesquisadores passaram a compreender melhor a complexidade do leite humano.

Uma revisão publicada em 2024 na revista científica Nutrients destaca que o leite materno contém centenas de moléculas bioativas, incluindo os chamados oligossacarídeos do leite humano (HMOs). Mais de 200 estruturas diferentes desses compostos já foram identificadas.

Embora sejam carboidratos, os HMOs praticamente não têm função nutricional direta para o bebê. Seu principal papel é estimular o crescimento de bactérias benéficas no intestino, favorecer a formação da microbiota intestinal e dificultar a adesão de microrganismos potencialmente causadores de doenças.

Além dos HMOs, o leite humano contém substâncias com ação anti-inflamatória, antioxidante e imunomoduladora, que continuam sendo investigadas por pesquisadores devido ao seu potencial impacto no desenvolvimento infantil.

Por que isso ainda não pode ser reproduzido?

Os avanços da ciência permitiram o desenvolvimento de fórmulas infantis cada vez mais seguras e nutricionalmente completas, fundamentais quando a amamentação não é possível ou não é indicada.

No entanto, segundo uma revisão publicada na revista Advances in Nutrition, o grande desafio não está apenas em reproduzir os nutrientes presentes no leite materno, mas em compreender e replicar a interação entre centenas de componentes bioativos que atuam de forma integrada e cuja composição muda continuamente ao longo da lactação.

Em outras palavras, enquanto uma fórmula infantil possui composição padronizada para garantir qualidade e segurança, o leite materno é um sistema biológico dinâmico, capaz de sofrer alterações naturais conforme o estágio da amamentação e o desenvolvimento do bebê.

O que isso significa na prática?

As descobertas científicas sobre o leite materno têm contribuído para ampliar o conhecimento sobre a nutrição infantil e para o aperfeiçoamento das fórmulas disponíveis atualmente. Ainda assim, a comunidade científica reconhece que muitos aspectos de sua composição e de seu funcionamento permanecem em investigação.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade e sua continuidade, juntamente com a alimentação complementar adequada, até os dois anos ou mais. Quando a amamentação não é possível, as fórmulas infantis representam uma alternativa segura e importante, desde que utilizadas com orientação de profissionais de saúde.

Mais do que uma fonte de nutrientes, o leite materno é considerado um dos sistemas biológicos mais complexos já estudados. A cada nova pesquisa, a ciência amplia o conhecimento sobre seus componentes e funções, mas ainda não conseguiu reproduzir integralmente essa combinação única desenvolvida pela natureza.

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Dor muscular é sinal de treino eficiente?

28 de julho de 2026

Quem nunca ouviu a frase “se não doeu, o treino não funcionou”? Essa ideia é bastante comum entre quem pratica atividade física, especialmente na musculação. Mas será que ela é verdadeira? A resposta é não. Embora a dor muscular possa ocorrer após um treino intenso ou diferente do habitual, ela não é um indicador confiável […]

Dor muscular é sinal de treino eficiente?

Quem nunca ouviu a frase “se não doeu, o treino não funcionou”? Essa ideia é bastante comum entre quem pratica atividade física, especialmente na musculação. Mas será que ela é verdadeira?

A resposta é não. Embora a dor muscular possa ocorrer após um treino intenso ou diferente do habitual, ela não é um indicador confiável de que o exercício foi mais eficiente ou trouxe melhores resultados.

Por que sentimos dor depois de treinar?

A dor muscular que costuma aparecer entre 12 e 24 horas após a prática de exercícios, atingindo seu pico entre 24 e 72 horas, é conhecida como dor muscular de início tardio (DMIT) ou Delayed Onset Muscle Soreness (DOMS).

De acordo com o Colégio Americano de Medicina do Esporte (American College of Sports Medicine – ACSM), esse desconforto é uma resposta natural do organismo, especialmente após exercícios aos quais o corpo ainda não está adaptado ou que envolvem maior esforço excêntrico, quando o músculo produz força enquanto se alonga, como acontece ao descer uma escada ou controlar a descida de um agachamento.

Durante esse processo, ocorrem pequenas lesões nas fibras musculares e no tecido conjuntivo, desencadeando uma resposta inflamatória temporária. É essa resposta, e não o acúmulo de ácido lático, como se acreditava no passado, a principal responsável pela dor que surge horas depois do exercício.

Então, um treino sem dor foi “fraco”?

Não necessariamente.

Segundo a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), a evolução do condicionamento físico faz com que o organismo se adapte aos estímulos do treinamento. Isso significa que, com o passar do tempo, é comum sentir menos dor após exercícios semelhantes, mesmo continuando a ganhar força, resistência e massa muscular.

Além disso, resultados como hipertrofia, melhora do condicionamento cardiorrespiratório e aumento da força dependem de fatores como frequência dos treinos, progressão da carga, alimentação adequada, descanso e recuperação. A presença ou ausência de dor não determina, sozinha, a eficácia do treinamento.

Quando a dor merece atenção?

Nem toda dor após o exercício é considerada normal.

A dor muscular de início tardio costuma ser difusa, afeta os músculos trabalhados e melhora gradualmente em poucos dias.

Já uma dor intensa, localizada, que surge de forma repentina durante o exercício ou é acompanhada por inchaço importante, perda de força, limitação dos movimentos ou hematomas pode indicar uma lesão muscular e deve ser avaliada por um profissional de saúde.

Da mesma forma, dores persistentes que impedem a realização das atividades do dia a dia ou que não apresentam melhora após alguns dias também merecem investigação.

Como aliviar a dor muscular?

Embora não exista uma estratégia capaz de eliminar completamente a dor muscular de início tardio, algumas medidas podem contribuir para a recuperação.

Uma revisão publicada no British Journal of Sports Medicine aponta que exercícios leves de recuperação, sono adequado, hidratação e alimentação equilibrada favorecem o processo de recuperação muscular. Técnicas como massagens também podem reduzir a percepção da dor em alguns casos, embora seus efeitos variem entre as pessoas.

Manter uma progressão gradual da intensidade dos treinos também é uma das formas mais eficazes de reduzir a ocorrência da DMIT.

O mais importante é a constância

A dor muscular pode fazer parte do processo de adaptação do organismo, especialmente quando um novo exercício é iniciado ou quando há aumento da intensidade do treino. No entanto, ela não deve ser utilizada como parâmetro para avaliar a qualidade de uma sessão de exercícios.

De acordo com as diretrizes do American College of Sports Medicine, os melhores resultados estão relacionados à regularidade da prática, ao planejamento do treinamento e ao tempo adequado de recuperação entre as sessões, e não à intensidade da dor sentida no dia seguinte.

Em outras palavras, um treino eficiente é aquele que respeita os limites do corpo, promove adaptações progressivas e pode ser mantido de forma consistente ao longo do tempo.

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O corpo muda antes de pedir socorro: por que alguns sinais não devem ser ignorados

24 de julho de 2026

Uma voz que ficou diferente. Uma dificuldade para engolir que começou de forma discreta. Uma ferida na boca que parece não cicatrizar. Um caroço no pescoço que continua ali mesmo depois de alguns dias. É comum que essas mudanças sejam atribuídas ao cansaço, a uma gripe recente ou a um problema passageiro. Na maioria das […]

O corpo muda antes de pedir socorro: por que alguns sinais não devem ser ignorados

Uma voz que ficou diferente. Uma dificuldade para engolir que começou de forma discreta. Uma ferida na boca que parece não cicatrizar. Um caroço no pescoço que continua ali mesmo depois de alguns dias.

É comum que essas mudanças sejam atribuídas ao cansaço, a uma gripe recente ou a um problema passageiro. Na maioria das vezes, de fato, elas têm causas benignas. Mas quando persistem, deixam de ser apenas um incômodo e passam a merecer investigação.

Essa é uma das principais mensagens do Dia Mundial do Câncer de Cabeça e Pescoço, celebrado em 27 de julho: aprender a reconhecer alterações persistentes pode fazer diferença no diagnóstico de diversas doenças, inclusive do câncer.

Quando um sintoma deixa de ser “normal”

O organismo muda o tempo todo. Depois de um resfriado, por exemplo, é esperado que a voz fique rouca por alguns dias. Uma afta pode surgir após um trauma ou um período de estresse. Gânglios no pescoço podem aumentar temporariamente durante infecções.

O que merece atenção não é o sintoma isolado, mas sua duração.

Rouquidão persistente, dificuldade para engolir, dor ao engolir, feridas na boca que não cicatrizam, sensação constante de algo preso na garganta, manchas na cavidade oral e caroços na região do pescoço são exemplos de alterações que devem ser avaliadas quando permanecem por semanas ou surgem sem uma causa aparente.

Esses sinais não significam, necessariamente, um diagnóstico de câncer. Eles podem estar relacionados a diferentes condições clínicas, desde inflamações até doenças benignas. Ainda assim, são manifestações que não devem ser ignoradas.

Um grupo de tumores que ainda é pouco conhecido

Apesar de afetar milhares de brasileiros todos os anos, o câncer de cabeça e pescoço ainda recebe menos atenção do que outros tipos de tumor.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), milhares de novos casos são registrados anualmente no país envolvendo estruturas como boca, língua, laringe, faringe, cavidade nasal e glândulas salivares. Embora cada localização tenha características próprias, todas fazem parte do chamado grupo dos cânceres de cabeça e pescoço.

O desafio é que muitos desses tumores começam de maneira silenciosa, com sintomas que podem ser facilmente confundidos com problemas comuns do dia a dia.

O diagnóstico ainda acontece tarde

Um dos maiores obstáculos no tratamento desses tumores não é a falta de sintomas, mas o tempo que muitas pessoas levam para buscar avaliação.

Uma pesquisa inédita divulgada pelo INCA em 2025, que analisou mais de 145 mil casos registrados no Brasil, mostrou que aproximadamente 80% dos pacientes receberam o diagnóstico já em estágios avançados da doença.

Esse dado ajuda a explicar por que campanhas de conscientização insistem tanto na importância de observar mudanças persistentes. Quanto mais cedo uma alteração é investigada, maiores costumam ser as possibilidades de tratamento e melhores os resultados clínicos.

Isso não significa transformar qualquer sintoma em motivo de preocupação. Significa entender que persistência é um critério importante quando se fala em saúde.

Os fatores de risco estão mudando

Durante décadas, o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas foram os principais fatores associados ao câncer de cabeça e pescoço, e continuam tendo papel importante.

Hoje, porém, outro fator também merece destaque: a infecção pelo HPV (Papilomavírus Humano), especialmente nos tumores da orofaringe.

Essa mudança reforça a importância da vacinação contra o HPV, uma estratégia reconhecida por reduzir o risco de diferentes tipos de câncer relacionados ao vírus. Além disso, abandonar o cigarro, moderar o consumo de álcool, manter uma boa higiene bucal e realizar consultas periódicas com profissionais de saúde continuam sendo medidas fundamentais de prevenção.

O papel dos exames

Quando existe uma alteração persistente, a investigação começa pela avaliação clínica. Dependendo dos sintomas, o médico pode solicitar exames de imagem para compreender melhor o que está acontecendo.

Ultrassonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética e outros métodos diagnósticos ajudam a avaliar estruturas da cabeça e do pescoço, identificar alterações e direcionar os próximos passos da investigação.

É importante lembrar que esses exames não têm o objetivo de confirmar, sozinhos, um diagnóstico de câncer. Eles fazem parte de um processo que considera também o histórico do paciente, o exame físico e, quando necessário, outros procedimentos complementares.

Conhecer o próprio corpo também é uma forma de cuidado

Nem toda mudança representa uma doença grave. Mas toda mudança persistente merece ser observada.

Na rotina acelerada, é comum adiar uma consulta ou esperar que um sintoma desapareça sozinho. No entanto, prestar atenção ao próprio corpo não significa viver em estado de alerta permanente. Significa reconhecer quando algo deixa de fazer parte do habitual.

E, diante de qualquer alteração persistente, buscar orientação médica é sempre o melhor caminho.

 

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Ler pode ser uma pausa para o cérebro e a ciência explica por quê

21 de julho de 2026

Quando a rotina fica mais intensa, é comum procurar formas rápidas de aliviar o estresse. Algumas pessoas recorrem à música, outras fazem uma caminhada ou assistem a uma série. Mas existe um hábito simples, acessível e muitas vezes esquecido que também pode contribuir para o bem-estar: a leitura. Mais do que uma forma de entretenimento, […]

Ler pode ser uma pausa para o cérebro e a ciência explica por quê

Quando a rotina fica mais intensa, é comum procurar formas rápidas de aliviar o estresse. Algumas pessoas recorrem à música, outras fazem uma caminhada ou assistem a uma série. Mas existe um hábito simples, acessível e muitas vezes esquecido que também pode contribuir para o bem-estar: a leitura.

Mais do que uma forma de entretenimento, ler é uma atividade capaz de envolver diferentes áreas do cérebro ao mesmo tempo. Linguagem, memória, atenção, imaginação e processamento emocional trabalham em conjunto enquanto acompanhamos uma história, aprendemos algo novo ou refletimos sobre um texto.

O resultado vai além do conhecimento adquirido. A ciência mostra que a leitura também pode contribuir para reduzir o estresse, estimular o cérebro e favorecer a saúde mental ao longo da vida.

O que acontece com o cérebro quando lemos?

Ao contrário do que pode parecer, ler não é uma atividade passiva.

Para compreender um texto, o cérebro precisa interpretar palavras, construir significados, recuperar informações da memória, manter a atenção e, muitas vezes, imaginar cenários, pessoas e situações. É um exercício cognitivo complexo, que mobiliza diferentes regiões cerebrais de forma simultânea.

Pesquisas vêm mostrando que a leitura faz mais do que ampliar o repertório. Uma meta-análise publicada em 2024 no Journal of Experimental Psychology: General, um dos principais periódicos da área de Psicologia, reuniu os resultados de 69 experimentos e encontrou benefícios pequenos, mas consistentes, da leitura de ficção para habilidades como empatia e compreensão da perspectiva de outras pessoas.

Embora esses efeitos variem entre as pessoas, o conjunto das evidências reforça que manter o cérebro ativo por meio da leitura faz parte de um estilo de vida saudável.

Uma pausa para a mente

Talvez um dos benefícios mais interessantes da leitura esteja na forma como ela ajuda o cérebro a mudar o foco da atenção.

Quando nos envolvemos em uma narrativa, deixamos de concentrar energia apenas nas preocupações do dia a dia. Em vez de alimentar o ciclo de pensamentos repetitivos, conhecido como ruminação, a mente passa a acompanhar personagens, informações ou ideias, criando um período de descanso para o cérebro.

Esse efeito pode ser percebido até mesmo em poucos minutos.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Sussex observou que apenas seis minutos de leitura foram capazes de reduzir os níveis de estresse em até 68%, resultado superior ao obtido por outras atividades relaxantes avaliadas na pesquisa, como ouvir música ou tomar uma bebida quente.

Embora esse percentual seja específico desse estudo e não deva ser interpretado como uma regra para todas as pessoas, ele ilustra como a leitura pode funcionar como uma estratégia simples para desacelerar a mente.

Ler também é cuidar da saúde do cérebro

Os benefícios da leitura não se limitam ao momento em que o livro está aberto.

Especialistas apontam que o hábito de ler contribui para o desenvolvimento da chamada reserva cognitiva, uma capacidade do cérebro de criar conexões e estratégias para lidar melhor com o envelhecimento e com algumas alterações cognitivas.

Isso não significa que ler impeça o surgimento de doenças neurológicas, mas estudos sugerem que manter o cérebro intelectualmente ativo ao longo da vida está associado a uma melhor saúde cognitiva e pode contribuir para preservar funções como memória, linguagem e raciocínio.

É mais um exemplo de como hábitos cotidianos podem influenciar a saúde a longo prazo.

Existe um tipo de leitura ideal?

A resposta é simples: o melhor livro é aquele que desperta seu interesse.

Romances, biografias, livros de divulgação científica, reportagens, crônicas ou até poesias podem oferecer benefícios quando a leitura acontece de forma prazerosa e frequente.

O mais importante não é a quantidade de páginas nem a complexidade do texto, mas a criação de um momento de atenção sustentada, algo cada vez mais raro em uma rotina marcada por notificações e estímulos constantes.

Trocar alguns minutos de rolagem nas redes sociais por alguns minutos de leitura pode representar uma oportunidade para descansar a mente e estimular o cérebro ao mesmo tempo.