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Saúde da Mulher

Do diagnóstico ao pós-tratamento: o papel do acompanhamento psicológico no câncer de mama

Publicado em 26 de outubro de 2026 · Nova Diagnóstico por Imagem

Campanhas como o Outubro Rosa reforçam que cuidar do câncer de mama exige um olhar integral: além de tratar a doença física, é essencial acolher a saúde mental da pessoa em todas as fases da sua vida.

Do diagnóstico ao pós-tratamento: o papel do acompanhamento psicológico no câncer de mama

Receber um diagnóstico de câncer de mama pode inaugurar uma rotina de consultas, exames, decisões sobre o tratamento e mudanças que nem sempre se limitam ao corpo. Medo, ansiedade, insegurança e dúvidas sobre o futuro também podem aparecer nesse período.
E essas questões não necessariamente terminam quando o tratamento chega ao fim. As necessidades emocionais podem mudar ao longo do caminho, desde a descoberta da doença até o período de remissão e acompanhamento. Por isso, o cuidado com a saúde mental pode fazer parte de diferentes fases dessa jornada.
No Brasil, a dimensão desse cuidado ganha ainda mais relevância diante do número de pessoas afetadas pela doença. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no país entre 2026 e 2028.

No diagnóstico, também é preciso lidar com a incerteza

A confirmação da doença pode provocar diferentes reações. Algumas pessoas sentem medo, tristeza ou raiva. Outras têm dificuldade para assimilar as informações recebidas ou para lidar com a quantidade de decisões que surgem em pouco tempo.
Não existe uma única maneira de reagir ao diagnóstico. O acompanhamento psicológico pode oferecer um espaço para compreender essas emoções e desenvolver estratégias para enfrentar mudanças na rotina, no trabalho, nos relacionamentos e nos planos para o futuro.
O próprio Ministério da Saúde inclui a saúde mental entre os componentes do cuidado integral à pessoa com câncer de mama. Entre as orientações estão o acolhimento e a escuta ativa, a identificação precoce de sinais de depressão, ansiedade e estresse, o aconselhamento psicossocial e, quando necessário, o encaminhamento para psicólogos e psiquiatras.

Durante o tratamento, os desafios podem mudar

Cirurgias, quimioterapia, radioterapia e tratamentos medicamentosos podem produzir efeitos físicos e mudanças importantes na rotina. No câncer de mama, também podem surgir questões relacionadas à imagem corporal, à autoestima e à sexualidade.
Cicatrizes, retirada parcial ou total da mama, queda de cabelo e outras transformações podem ser percebidas de maneiras diferentes por cada pessoa. Quando essas mudanças provocam sofrimento, elas também podem ser trabalhadas durante o acompanhamento psicológico.
Estudos brasileiros mostram que essas repercussões ultrapassam a dimensão física. Uma publicação recente da Revista Bioética, ao analisar os impactos psicossociais do câncer de mama, destaca efeitos sobre a vida pessoal, familiar e social das mulheres, além de questões relacionadas à ansiedade, depressão e imagem corporal.
O suporte psicológico também pode auxiliar diante do cansaço emocional, da alteração da rotina familiar e profissional e da sensação de perda de autonomia que algumas pessoas podem experimentar durante o tratamento.

Quando o tratamento termina, novas questões podem surgir

O fim do tratamento ativo costuma ser associado ao alívio. E ele pode realmente representar uma etapa importante. Mas isso não significa que todas as preocupações desapareçam ao mesmo tempo.
Um estudo brasileiro publicado em 2025 acompanhou 101 mulheres sobreviventes de câncer de mama em São Paulo e mostrou que questões emocionais permaneceram relevantes após o tratamento. Entre os problemas mais relatados estavam preocupação, mencionada por 68,9% das participantes, dificuldades de memória ou concentração, por 51,3%, e nervosismo, por 50,7%. O estudo também encontrou associação entre maior sofrimento psicológico e problemas como depressão e preocupação.
Os resultados ajudam a mostrar por que o período posterior ao tratamento também merece atenção. Exames de acompanhamento, mudanças no corpo e receio de uma recorrência podem fazer com que algumas inseguranças permaneçam ou até apareçam nessa nova fase.

Remissão não significa necessariamente voltar à vida de antes

Depois de meses ou anos em tratamento, retomar a rotina também pode exigir adaptação.
Algumas mudanças físicas podem permanecer, enquanto outras questões aparecem apenas quando a frequência das consultas e procedimentos diminui. Trabalho, relacionamentos, sexualidade, planos futuros e a própria relação com o corpo podem precisar ser reorganizados.
Pesquisas brasileiras com sobreviventes de câncer de mama também apontam a importância de olhar para essas dimensões. Estudo publicado pela Revista Brasileira de Cancerologia, do INCA, destaca que alterações físicas e emocionais decorrentes do tratamento podem repercutir no bem-estar psicológico, na sexualidade e na qualidade de vida mesmo após essa etapa.
Nesse contexto, o acompanhamento psicológico pode continuar sendo um recurso durante a remissão e o período de acompanhamento, inclusive para trabalhar questões que talvez não tenham sido prioridade enquanto o foco estava no tratamento da doença.

É preciso esperar o sofrimento ficar intenso para procurar ajuda?

Não.
O cuidado psicológico não precisa começar apenas quando existe um transtorno de saúde mental ou quando a pessoa sente que chegou ao seu limite. Ele pode fazer parte da assistência desde o diagnóstico e ser acionado ou retomado conforme as necessidades aparecem.
Em material direcionado ao cuidado integral de pessoas com câncer de mama, o Ministério da Saúde recomenda o acompanhamento continuado da saúde mental ao longo do tratamento, justamente para que mudanças emocionais possam ser identificadas e cuidadas precocemente. A orientação inclui também a participação de diferentes profissionais e o acesso a grupos de apoio quando indicado.
Ao mesmo tempo, sentir medo, tristeza ou preocupação diante da doença não significa necessariamente que exista um transtorno psicológico. É importante observar principalmente a intensidade, a duração e o impacto dessas emoções na rotina.
Quando o sofrimento se torna persistente, interfere no sono, na alimentação, nas relações, nas atividades do dia a dia ou dificulta a continuidade do próprio tratamento, conversar com a equipe de saúde pode ser um primeiro passo para encontrar o suporte mais adequado.

O cuidado também pode continuar depois do tratamento

O câncer de mama não produz a mesma experiência para todas as pessoas. Da mesma forma, não existe um momento único em que o apoio psicológico precisa começar ou terminar.
Para algumas pessoas, ele pode ser mais importante logo após o diagnóstico. Para outras, durante o tratamento. Há ainda quem perceba essa necessidade somente depois, quando a fase mais intensa dos cuidados médicos termina e começa o processo de reorganizar a vida.
No Outubro Rosa, ampliar a conversa sobre câncer de mama também significa reconhecer essas diferentes etapas. Do diagnóstico à remissão e ao acompanhamento posterior, cuidar da saúde mental pode fazer parte de um cuidado mais amplo, que considera não apenas a doença, mas também a pessoa que atravessa cada uma dessas fases.