Dezembro Vermelho: precisamos falar sobre a Aids

2021-12-01T11:29:22-03:00

 

 

A Aids é uma doença causada pela infecção do Vírus da Imunodeficiência Humana (da sigla em inglês, HIV). Esse vírus, do tipo retrovírus, ataca o sistema imunológico e deixa o organismo suscetível a doenças. Muito embora já tenha sido encarada como sentença de morte, a evolução dos tratamentos deu à doença um status de condição crônica, já que é possível viver muitos anos com a infecção.

​​De acordo com o Boletim Epidemiológico de 2020, 920 mil pessoas vivem com o HIV no Brasil. A maior concentração de casos está entre jovens de 25 a 39 anos, de ambos os sexos, de acordo com o Ministério da Saúde. Neste Dezembro Vermelho, mês da conscientização e combate à Aids, chamamos atenção para as formas de prevenção da doença e sobre a importância de uma detecção precoce.

Como o vírus age?

A Aids é uma doença infectocontagiosa sem cura, onde as células mais atingidas pelo vírus são as T CD4+, um tipo de linfócito (glóbulo branco) que ajuda a proteger o organismo humano de doenças. O vírus é capaz de alterar o DNA dessa célula e fazer cópias de si mesmo. Após se multiplicar, rompe os linfócitos em busca de outros para continuar a infecção.

Esse tipo de vírus possui algumas características como o período prolongado de incubação antes do surgimento dos sintomas de doença, infecção das células do sangue e do sistema nervoso e supressão do sistema imune.

Ter HIV não significa ter Aids

Quando um indivíduo contrai o HIV, ele se torna soropositivo, mas isso não significa que desenvolverá a Aids. Isso porque, após a infecção, o vírus migra para dentro do DNA da célula CD4. Com a redução da quantidade dessas células, o organismo se torna vulnerável para outras doenças. Dentro desse cenário é que a pessoa desenvolve a Aids.

Porém, isso leva um tempo para acontecer. Em pessoas não tratadas, estima-se que o período entre o contágio e o aparecimento da doença dure cerca de 10 anos, podendo acontecer muito antes para alguns indivíduos enquanto outros podem nunca vir a ter Aids, seja pelo início do tratamento logo após o diagnóstico ou porque o sistema imunológico consegue controlar a infecção.

Muitos soropositivos podem viver anos com o vírus sem desenvolver a doença ou ter sinais e sintomas da Aids. No entanto, mesmo sem ela, quem tem o vírus HIV pode transmiti-lo para outras pessoas.

Sintomas

Fase aguda: o período de incubação do vírus do HIV é de três a seis semanas. Nessa fase inicial, a replicação é intensa e a carga viral aumenta, assim como o risco de transmissão. Os primeiros sintomas são muito parecidos com os de uma gripe ou virose, como febre, cansaço e mal-estar, e desaparecem sozinhos, por isso a maioria dos casos passa despercebido.

Fase de latência: o organismo leva de 30 a 60 dias após a infecção para produzir anticorpos anti-HIV. A fase de latência é marcada pela forte interação entre as células de defesa e as constantes e rápidas mutações do vírus, mas isso não enfraquece o organismo o suficiente para permitir novas doenças. Esse período, que pode durar muitos anos, é chamado de assintomático.

Fase sintomática: com o frequente ataque, as células de defesa começam a funcionar com menos eficiência até serem destruídas, deixando o organismo cada vez mais fraco e vulnerável a infecções. Os sintomas mais comuns nessa fase são febre, diarreia, suores noturnos e emagrecimento. A baixa imunidade permite o aparecimento de doenças como hepatites virais, tuberculose, pneumonia, toxoplasmose e alguns tipos de câncer.

Transmissão

O vírus HIV pode estar presente nos seguintes fluidos corporais: sangue, sêmen, líquido pré-seminal, secreções retais, secreções vaginais e leite materno. Para que haja a transmissão, os fluidos devem entrar em contato com as mucosas (boca ou órgãos genitais), tecido lesionado ou devem ser injetados diretamente na corrente sanguínea, por meio de agulha ou seringa.

Como é possível contrair o vírus:

  • Sexo anal sem camisinha;
  • Sexo vaginal sem camisinha;
  • Sexo oral sem camisinha;
  • Uso compartilhado de agulha ou seringa;
  • Transfusão de sangue contaminado;
  • Da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação;
  • Instrumentos que furam ou cortam não esterilizados.

Como não é possível contrair o vírus:

 Sexo com uso correto da camisinha;

  • Beijo no rosto ou na boca;
  • Masturbação a dois;
  • Suor e lágrima;
  • Aperto de mão ou abraço;
  • Sabonete, toalha, lençóis;
  • Picada de inseto;
  • Assento de ônibus;
  • Piscina;
  • Banheiro;
  • Doação de sangue;
  • Pelo ar (com tosse, espirro, etc.).

Diagnóstico

 Em caso de sexo desprotegido ou qualquer outra situação de risco, procure uma unidade de saúde imediatamente, informe-se sobre a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) e realize o exame laboratorial ou teste rápido, que detecta os anticorpos contra o HIV em cerca de 30 minutos. Ambos os exames são realizados gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde), nas unidades da rede pública e nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA).

Tratamento

 Apesar de não existir ainda um tratamento capaz de eliminar o vírus HIV, os medicamentos antirretrovirais impedem a multiplicação do vírus no organismo e o consequente enfraquecimento do sistema imunológico, garantindo uma melhor qualidade de vida e reduzindo as chances de transmissão. A terapia antirretroviral deve ser iniciada assim que o diagnóstico é feito.