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Câncer do colo do útero: mortes crescem no Brasil e acendem alerta para prevenção e diagnóstico precoce

27 de março de 2026

O aumento contínuo de mortes por câncer do colo do útero no Brasil tem acendido um sinal de alerta importante para a saúde pública. Apesar de ser uma doença com alto potencial de prevenção e com grandes chances de cura quando diagnosticada precocemente, os números mais recentes mostram que ainda há barreiras significativas no acesso […]

Câncer do colo do útero: mortes crescem no Brasil e acendem alerta para prevenção e diagnóstico precoce

O aumento contínuo de mortes por câncer do colo do útero no Brasil tem acendido um sinal de alerta importante para a saúde pública. Apesar de ser uma doença com alto potencial de prevenção e com grandes chances de cura quando diagnosticada precocemente, os números mais recentes mostram que ainda há barreiras significativas no acesso à informação, à vacinação e ao rastreamento.

De acordo com levantamento divulgado em março de 2026, com base em dados do DATASUS (Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM), organizados no Observatório da Saúde Pública da Umane, o país registrou cerca de 7,5 mil mortes em 2024, o maior número da série histórica iniciada em 2000. O crescimento é consistente: foram 7,2 mil óbitos em 2023, consolidando o terceiro ano consecutivo de alta. No acumulado desde 2022, o aumento chega a 13,4%, evidenciando uma tendência preocupante.

Quem são as principais vítimas

Os dados também revelam desigualdades importantes. A maior parte das mortes ocorre entre mulheres com 65 anos ou mais, que representam 32,6% dos casos. Além disso, há maior incidência entre mulheres pardas (48,3%) e com menor escolaridade, especialmente aquelas com até sete anos de estudo (52,3%).

Esses recortes reforçam que o câncer do colo do útero não é apenas uma questão médica, mas também social. O acesso desigual a serviços de saúde, informação e prevenção impacta diretamente os índices de mortalidade.

Outro dado preocupante vem do inquérito Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) 2024: 12,5% das mulheres entre 25 e 64 anos nunca realizaram o exame de Papanicolau, principal forma de detectar alterações precursoras da doença. Isso significa que uma parcela significativa da população feminina ainda está fora das estratégias básicas de rastreamento.

O que causa o câncer do colo do útero

A principal causa do câncer do colo do útero é a infecção persistente pelo HPV (Papilomavírus Humano), um vírus sexualmente transmissível bastante comum. Na maioria dos casos, o organismo elimina o vírus naturalmente, mas, quando a infecção persiste, pode provocar alterações nas células do colo do útero que evoluem para o câncer ao longo dos anos.

Essa evolução lenta é justamente o que torna a doença altamente prevenível: há tempo suficiente para identificar e tratar lesões antes que se tornem malignas.

Principais sintomas: quando o corpo dá sinais

Nos estágios iniciais, o câncer do colo do útero costuma ser silencioso, o que reforça a importância do exame preventivo regular. Quando os sintomas aparecem, a doença pode já estar em estágio mais avançado.

Os sinais mais comuns incluem:

  • Sangramento vaginal fora do período menstrual

  • Sangramento após relações sexuais

  • Corrimento vaginal com odor forte ou aspecto incomum

  • Dor pélvica constante

  • Desconforto durante a relação sexual

Em fases mais avançadas, podem surgir sintomas como dor lombar, inchaço nas pernas e alterações urinárias ou intestinais. Diante de qualquer um desses sinais, é fundamental procurar atendimento médico o quanto antes.

Prevenção: um caminho possível e eficaz

A boa notícia é que o câncer do colo do útero pode ser evitado por meio de duas estratégias principais: vacinação contra o HPV e rastreamento regular com o exame de Papanicolau.

A vacinação é indicada para meninas e meninos de 9 a 14 anos e tem apresentado avanço no país. Em 2025, a cobertura vacinal chegou a 79,95%, um crescimento em relação aos 75% registrados em 2024. Ainda assim, há diferença entre os gêneros: a adesão é maior entre meninas (85,89%) do que entre meninos (74,26%).

Embora os números mostrem evolução, especialistas reforçam que o ideal é ampliar ainda mais essa cobertura para alcançar a proteção coletiva e reduzir a circulação do vírus.

Já o exame de Papanicolau deve ser realizado regularmente por mulheres a partir dos 25 anos ou após o início da vida sexual, conforme orientação médica. Ele permite identificar alterações celulares precocemente, antes que evoluam para o câncer, tornando o tratamento mais simples e eficaz.

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