Coceira e formigamento nas pernas durante o exercício: o que explica essas sensações?
Sensações como coceira, formigamento ou ardência nas pernas durante o exercício físico são queixas comuns entre pessoas que estão iniciando uma rotina de atividades. Embora causem estranhamento e até preocupação, esses sintomas, na maioria dos casos, estão associados a processos fisiológicos normais de adaptação do organismo ao esforço físico. O fenômeno está diretamente ligado à […]
Sensações como coceira, formigamento ou ardência nas pernas durante o exercício físico são queixas comuns entre pessoas que estão iniciando uma rotina de atividades. Embora causem estranhamento e até preocupação, esses sintomas, na maioria dos casos, estão associados a processos fisiológicos normais de adaptação do organismo ao esforço físico.
O fenômeno está diretamente ligado à circulação sanguínea, à ativação do sistema nervoso e à resposta do corpo ao aumento repentino de movimento, especialmente após períodos prolongados de sedentarismo.
Aumento do fluxo sanguíneo e ativação nervosa
Durante o exercício, o corpo aumenta o fluxo de sangue para os músculos ativos, com o objetivo de fornecer mais oxigênio e nutrientes. Esse processo é essencial para sustentar o esforço físico, mas pode gerar efeitos colaterais temporários.
O aumento da circulação provoca a dilatação dos vasos sanguíneos próximos à pele, estimulando terminações nervosas. Essa estimulação pode resultar em sensações como coceira ou formigamento, principalmente nas pernas, região que concentra grandes grupos musculares e costuma ser menos ativada na rotina diária.
Em pessoas sedentárias ou que estão retomando os exercícios após longos períodos de inatividade, essa resposta tende a ser mais perceptível.
Liberação de histamina durante o exercício
Outro fator envolvido é a liberação de histamina, substância produzida naturalmente pelo organismo. Durante a prática de atividade física, especialmente em exercícios aeróbicos, o corpo pode liberar histamina como parte do processo de regulação do fluxo sanguíneo.
Essa substância age sobre os vasos e pode causar coceira na pele. Diferentemente das reações alérgicas clássicas, essa liberação não indica doença nem intolerância ao exercício, sendo considerada uma resposta fisiológica comum em fases iniciais de adaptação.
Por que as pernas são mais afetadas?
As pernas são frequentemente o local onde essas sensações aparecem com mais intensidade. Isso ocorre porque:
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São responsáveis por grande parte do esforço em caminhadas, corridas e treinos funcionais;
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Permanecem longos períodos com pouca movimentação em atividades cotidianas;
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Concentram grande volume de circulação sanguínea durante o exercício.
Quando o estímulo físico começa, o contraste entre repouso prolongado e atividade intensa torna as sensações mais evidentes.
Formigamento também pode estar relacionado à postura
Além da circulação, o formigamento pode estar associado a fatores mecânicos, como postura inadequada, sobrecarga inicial ou até compressão temporária de nervos durante determinados movimentos.
O uso de roupas muito apertadas, calçados inadequados ou a execução incorreta de exercícios também pode contribuir para esse tipo de sensação, especialmente em iniciantes que ainda estão ajustando técnica e consciência corporal.
Tendência é de melhora com a regularidade
Essas sensações costumam diminuir conforme o corpo se adapta à prática regular. Com o tempo, o sistema circulatório se torna mais eficiente, os nervos se ajustam aos estímulos e a resposta exagerada inicial tende a desaparecer.
Em geral, a redução dos sintomas ocorre após algumas semanas de prática consistente, respeitando limites e progressões adequadas.
Medidas simples ajudam na adaptação
Algumas estratégias podem contribuir para minimizar a coceira e o formigamento durante os treinos iniciais:
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Realizar aquecimento progressivo antes do exercício;
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Evitar aumentos bruscos de intensidade;
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Usar roupas confortáveis e adequadas à atividade;
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Manter hidratação adequada;
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Respeitar os sinais do corpo e os intervalos de descanso.
Essas medidas favorecem uma adaptação mais gradual e segura.
Quando é necessário investigar?
Apesar de serem comuns e benignas na maioria dos casos, as sensações devem ser avaliadas por um profissional de saúde quando:
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Persistem mesmo após o término do exercício;
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Tornam-se intensas ou dolorosas;
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Vêm acompanhadas de dormência prolongada;
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Surgem junto a inchaço, alteração de cor da pele ou dor localizada.
Nessas situações, é importante descartar condições circulatórias, neurológicas ou musculares.