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Prematuridade: aspectos atuais na prevenção secundária

Como tratar e se prevenir para evitar problemas com prematuridade na gestação.

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Por: Daniel Lorber Rolnik, Roberto Eduardo Bittar, Marcelo Zugaib

A prematuridade é a principal causa de morbidade e de mortalidade neonatal. Foi realizada revisão da literatura científica acerca dos aspectos preventivos em pacientes de risco para parto prematuro. No que tange à prevenção secundária, o uso da progesterona para prevenção do parto prematuro tem se mostrado eficaz para pacientes com colo uterino curto ou com antecedente de prematuridade. Mais recente e controversa é a recomendação de administração de ácido fólico para reduzir a incidência do nascimento prematuro em gestantes da população geral.

O parto prematuro, definido como aquele que ocorre antes de 37 semanas completas de gestação, constitui um dos principais problemas de saúde pública no Brasil e no mundo. A prematuridade é tida como a principal causa de morbidade e de mortalidade neonatal, sendo responsável por 75% a 95% de todos os óbitos neonatais não associados a malformações congênitas. Dos recém-nascidos sobreviventes, até 15% apresentam sequelas significativas, tais como alterações do desenvolvimento neuropsicomotor, doenças respiratórias crônicas, predisposição para doenças infecciosas e distúrbios oftalmológicos.

A incidência de partos prematuros nos países desenvolvidos tem aumentado e varia entre 7% e 12%, com índices ainda maiores nos países em desenvolvimento. Um terço deles ocorre antes de 34 semanas, e na metade dos casos não é possível definir a etiologia. Aproximadamente 75% dos partos prematuros ocorrem de forma espontânea. Nos 25% restantes, a prematuridade é chamada eletiva e é decorrente de complicações maternas e/ou fetais. No Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), a incidência de partos prematuros é alta (22,5%), e metade destes partos ocorre de forma espontânea.

Considerando estes números, prevenção da prematuridade é prioridade em saúde pública. No entanto, levando-se em consideração apenas o fator de risco envolvido com partos prematuros consegue-se predizer menos de 50% dos casos (1,5,6). Em virtude disso, a prevenção primária na maioria dos casos é difícil de ser implementada. Assim, a prevenção secundária, com a identificação precoce das gestantes de maior risco para parto prematuro, e a intervenção adequada parecem ser a melhor forma de evitar a prematuridade (2,6). Com este intuito, diversos estudos têm descrito a utilização de marcadores ultrassonográficos (principalmente comprimento do colo) e/ou bioquímicos (destacando-se a fibronectina fetal) que conseguem detectar o risco com maior acurácia (1,6).

Estudos têm demonstrado diminuição da incidência de partos prematuros com a utilização de progesterona em pacientes com história de prematuro anterior ou colo curto ao exame ultrassonográfico de segundo trimestre. Alguns autores sugerem que a utilização de ácido fólico também pode reduzir as taxas de prematuridade. O objetivo desta revisão é abordar as principais medidas preventivas do parto prematuro e trazer novas evidências científicas sobre o tema no que tange a prevenção primária e secundária.

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