Artigos Médicos

Pesquisa revela cálculos importantes na hora da gestação

Comprimento do colo uterino e antecedentes obstétricos predizem o nascimento prematuro espontâneo: desenvolvimento e validação de um modelo para uma avaliação individualizada do risco materno.

Text_2

Por: Luciana de Barros Duarte e Renato Sá

Comentários por Luciana de Barros Duarte* e Renato Sá*

*Professor Adjunto de Obstetrícia da Universidade Federal Fluminense

Cerca de 60 mil gestantes acompanhadas em sete hospitais do Reino Unido foram envolvidas neste estudo prospectivo observacional com o objetivo de avaliar a influência das características maternas (dados demográficos), dos antecedentes obstétricos e do comprimento do colo uterino na identificação do risco de parto pré-termo. Avaliou-se o comprimento cervical pela ultrassonografia endovaginal entre 20 e 24 semanas e 6 dias de gestação (medida única) em todas as gestantes, sendo desenvolvidos modelos para estimar o risco individual de cada paciente para o parto pré-termo extremo (<28 semanas), precoce (28-30 semanas), moderado (31-33 semanas) e tardio (34-36 semanas).

Ao comparar esses modelos, observou-se que ocorreu uma maior capacidade preditiva de risco ao se associar antecedentes obstétricos e comprimento do colo uterino. As características maternas como idade, etnia, índice de massa corpórea (IMC) e tabagismo não auxiliaram na estimativa. Assim, os autores concluem que a associação entre os antecedentes obstétricos e o comprimento do colo uterino medido através da ultrassonografia endovaginal realizada entre 20-24+6 semanas, é um método simples e eficaz na predição do parto pré-termo e que sua capacidade preditiva é tanto maior quanto mais precoce seja o nascimento pré-termo. Na identificação de gestantes com risco para parto pré-termo abaixo de 28 e de 30 semanas, o modelo proposto seleciona 10% da população geral e identifica 80 e 60% de todos os partos pré-termos respectivamente. A utilização deste modelo de rastreamento na rotina pré-natal combinado com a utilização de progesterona natural na população considerada de maior risco tem o potencial em determinar um impacto significativo na redução de incidência do parto pré-termo e de sua morbidade e mortalidade neonatal.

Exemplo: Qual o risco de uma gestante que teve um parto pré-termo na 32ª semana de gestação, apresentar parto entre 28 e 30 semanas na gestação atual se o colo uterino medir 15mm?

Resposta: considerando a figura abaixo (Figura-1), derivada do artigo comentado, na qual o risco basal (risco de toda mulher grávida) para parto entre 28-30 semanas é de 0,24. O antecedente de parto na 32ª semana de gestação e o colo uterino medindo 15mm determinam risco de 3,7 e 9,04 respectivamente. Assim, multiplicamos os riscos de cada fator (0,24 X 3,7 X 9,04) e concluímos que o risco de parto entre 28-30 semanas para esta paciente é de 8%. Vale lembrar que o risco basal foi de 0,24 (significa que o risco desta mulher é 30 vezes maior). Caso o colo uterino medido fosse de 35mm, o risco seria de apenas 0,47% (0,24 X 3,7 X 0,54).

Untitled

Figura-1: Fatores de risco o parto pré-termo extremo (<28 semanas), precoce (28-30 semanas), moderado (31-33 semanas) e tardio (34-36 semanas) e exemplos de cálculo de risco para parto pré-termo entre 28-30 semanas de gestação considerando os antecedentes obstétricos e o comprimento cervical.

Veja mais Artigos Médicos

todos os Artigos médicos